domingo, 2 de agosto de 2026

Glen, Eu e Você


Morreu no dia 29 de Julho, Glen Hansard, um baita músico que nos deixa tão cedo, em um acidente de moto. Mas sua morte lembrou você. 

Foi você que me apresentou a "música linda, linda, linda" como você falava da banda "The Swell Season" onde Glen é um dos integrantes.

Eu amava aquele momento, nos dois sentados na sacada, com um aparelho de som pequeno conectado ao meu streaming de música, um mostrando música para o outro. Bebendo e conversando.

- The Swell Season, Concrete Blonde, The Smiths, Beatles, Morais Moreira, Toquinho....

Conversa era o nosso maior trunfo como casal. Erámos muito amigos. Éramos o melhor casal. Esses momentos não existem mais. Nem eu existo mais na sua vida. Nem você existe mais na minha. Escrevo isso no alto de uma saudade imensa. Você foi meu amor nesse espaço curto de tempo, de vida.

Hoje não sei mais de você, nem você de mim e provavelmente nem lembra desses momentos, mais eu lembro e lembrarei sempre. Se isso é amor, não sei, mais foi o sentimento mais vivo que já tive...


Ainda bem que ninguém lê esse blog.


Sapere.


sábado, 1 de agosto de 2026

I Will Find You (2026) As séries de crimes e os streamings

 O mais recente sucesso da Netflix, sendo uma das 10 séries mais assistidas na locadora vermelha, demonstra que a Netflix não tem medo de repetir, repetir, repetir o que é sucesso pra ela. As séries de crimes cada vez mais tomam conta de catálogos da maioria dos streamings (até a Disney + e o seu Hulu estão fazendo isso) porém denota mais o fim desse tipo de entretenimento, do que o começo. Explico.



Poster Genêrico? Temos...

Se tem uma coisa que a Netflix trabalha e seu vasto público, e a diversidade de temas abordados e de formas de aborda-las: as fórmulas são as mesmas e são engolidas diariamente por um público sedento de novidade, toda a hora. Para isso a indústria cultural produz reciclados de suspense, que vemos desde os anos 90. Inclusive fáceis de sacar, só ligando pequenos pontos. Porém as "coincidências" são cada vez maiores para a solução dos casos. Em "Eu vou te encontrar" não foge de nada disso.



David Burroughs (Sam Worthington) e Rachel Mills (Britt Lower) — Foto: Netflix


E não adiantar pintar e trazer grandes atores. Aqui Sam Worthington continua mal, desculpe, não dá pra aguentar sua cara meio "tanto faz" para momentos dramáticos. Ele só teve sorte mesmo em Avatar, mas continua ruim quando é posto para carregar um drama.

Outra coisa que me tirou foi a questão do crime em si e do desfecho dele. É tanta sorte assim que os vilões tem? Além disso, a repetição de explicações para tudo me tirou do sério em alguns episódios, lá pelo meio da temporada. Mas fui pesquisar quem fez isso? Quem é o culpado por isso?


Quem é Harlan Coben? 

Segundo seu site, já foram mais de 100 milhões de livros impressos, autor de sucesso. E aí que fecha tudo, a Netflix não quer pensar, quer pessoas que possam produzir muito em pouco tempo. Harlan tem mais de 30 livros publicados, e já são 13 séries/filmes que a Netflix adaptou. 
Segundo o seu site: Com mais de 100 milhões de livros impressos em todo o mundo, Harlan Coben é o autor número 1 do New York Times, com trinta e cinco romances publicados, incluindo VITÓRIA , O MENINO DA FLORESTA , FUJA , ME ENGANA UMA VEZ , NÃO CONTE A NINGUÉM e a renomada série Myron Bolitar. Seus livros são publicados em 46 idiomas ao redor do mundo.

Harlan é o criador e produtor executivo de vários dramas da Netflix, incluindo FOOL ME ONCE, STAY CLOSE, THE STRANGER, SAFE, THE FIVE, THE INNOCENT e THE WOODS. Ele também é o criador e produtor executivo da série Harlan Coben's SHELTER, do Prime Video, baseada em seus livros para jovens adultos com o personagem Mickey Bolitar. Harlan foi o showrunner e produtor executivo de duas minisséries francesas, UNE CHANCE DE TROP (SEM SEGUNDA CHANCE) e JUST UN REGARD (APENAS UM OLHAR). KEINE ZWEIT CHANCE, também baseada em um romance de Harlan, foi exibida na Alemanha pelo canal Sat1.

O romance de Harlan, "Não Conte a Ninguém" (Ne le dis a personne), foi adaptado para o cinema no aclamado filme francês "No I Love You", dirigido por Guillaume Canet e estrelado por François Cluzet. O filme foi a maior bilheteria de um filme estrangeiro nos Estados Unidos naquele ano, ganhou o Prêmio Lumière (o Globo de Ouro francês) de melhor filme e foi indicado a nove Césars (o Oscar francês), vencendo quatro, incluindo melhor ator, melhor diretor e melhor trilha sonora.

Vencedor dos prêmios Edgar, Shamus e Anthony – o primeiro autor a ganhar os três –, os romances aclamados pela crítica do autor best-seller internacional Harlan Coben foram descritos como “engenhosos” (New York Times), “comoventes e perspicazes” (Los Angeles Times), “sempre divertidos” (Houston Chronicle), “excelentes” (Chicago Tribune) e “leitura obrigatória” (Philadelphia Inquirer).

Então qual é a decadência? 

O fato de ter um autor só seu, faz com que o catálogo aumenta ainda mais os números de pessoas que assistem a esse tipo de série, mas a decadência é relacionada à qualidade, por isso a compra cada vez mais livros de suspense para adaptações futuras, com o próprio Harlam Coben, ou de escritores renomados como Agatha Christie (com a adaptação de "Os Sete Relógios", também da Netflix.


Mais uma aposta da Netflix para 2026, “Os Sete Relógios de Agatha Christie” tem sinopse cheia de mistério

Veremos os próximos capítulos...


Sapere

sexta-feira, 31 de julho de 2026

IA É O NOVO BUG DO MILÊNIO?

 OU ESTAMOS F*D*D*S MESMO?


Dei o título dessa postagem em 2022 sobre a IA, mas não continuei a escrever sobre, talvez seja por não estar entendendo muito bem o que é essa 'nova tecnologia, não tão nova" e porque digo isso? Pois é um tema que qualquer jogador de videogame escuta à algum tempo. IA é quando um jogo tinha personagens e inimigos mais "espertos" difíceis de prever, mas tudo mudou, a estética das IA's está espalhada, seja na internet ou fora dela, com flyers, outdoors entre outros sendo feitos por IA, que me dá a sensação de estar num vale da estranheza futurista. 

A guerra não é só de inteligência, a guerra é estética também. Guerra já vencida e agora virou uma "corrida armamentista" das empresas. Qual será a nova moda? Foto em anime? Par Ideal (simulando você e sua "alma gêmea") ?
A IA sufoca... Foto: Do autor 

 
Inclusive a capa desse blog é feita em IA (deve estar me chamando de hipócrita né?) mas é de propósito por dois pontos: 
Ponto 1: Não tem mais "volta para casa" as I.A.'s estão no dia a dia popular. 
Ponto 2: Tava feio demais o cabeçalho do blog. 
Falaremos muito ainda sobre IA, deixa a poeira baixar. 

Além disso, o blog está de volta, heeee. Sempre tive blog e estava com saudade de escrever, sempre fui melhor em escrever do que falar, um blog ajuda com isso. Estou precisando escrever. Como é um blog bem "obscuro" ou seja, quase não tem visita, colocarei mais coisas minhas, o que consumo de arte e o que eu acho sobre o que eu consumo de arte. 

Sapere.

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Wild (2014): Aceitação do Passado



 Wild passou fora do meu radar e por um acaso apareceu pra mim.

Dirigido por Jean-Marc Vallée (Clube de Compras Dallas) e com uma interpretação cativante de Reese Witherspoon, Wild (2014) segue uma jornada física e emocional por uma trilha de 1100 milhas pela costa do oceano Pacífico, que passa por deserto, neve, chuva, entre outros desafios. Porém o desafio maior é sobre a sua vida e a reconexão com ela, e principalmente, da aceitação do passado. Porém sobrou até algumas críticas à imprensa (da cena com o jornalista) 


Baseado em uma história real, o formato narrativo (que já vimos em vários filmes desse tipo), com a linha do presente e, ao longo da história, possui flashbacks para entendermos como ela foi parar ali. É daqueles filmes "good vibes,but" com uma reflexão forte sobre passado, presente e futuro das nossas vidas...


"A minha vida, como todas as vidas. Misteriosa, irrevogável e sagrada. Tão perto. Tão presente. Pertencendo tanto a mim. Não foi tão libertador deixá-la existir?"


Para quem gosta de: Na natureza selvagem e a Vida secreta de Walter Mitty.

segunda-feira, 6 de junho de 2022

De baixo para cima: O rock underground nas paradas mundiais






24 de setembro de 1991, por mais que o mundo não soubesse e nenhuma pessoa lucida pudesse imaginar que seria lançado o álbum que seria um dos maiores clássicos que o rock produziu ao lado de The Dark Side of Moon, Abbey Road, entre outros o Nirvana lançava "Nevermind" um album contrabalanceado horas com músicas acusticas como "Polly" e outras pesadas como "Breed", "Louge Act", "In Bloom" e outras mais pop como "Come as You Are".

O que não dá pra deixar de perguntar é como uma banda que veio dos guetos do rock underground poderia se transformar em poucos dias um fenômeno da cultura pop americana? Sendo que no próprio underground o Nirvana tinha poucos fãs? É essas resposta que tentarei concluir mais uma parcela dessas indagações só poderia ser respondido com mágica.

Para se ter a ideia que foi o fenômeno Nirvana podem ser vistos na expectativa da gravadora (que a banda tinha recém assinado com a DGC) em venda otimista de 500 mil cópias, duas décadas depois Nevermind vendo cerca de 30 milhões de cópias no mundo todo. Em janeiro de 1992, Nevermind desbancava do topo das paradas "Dangerous" do rei do pop Michael Jackson.

A reposta para o sucesso do segundo disco do Nirvana é por ser um exelente album de rock, que mistura riffs do punk rock e músicas de fáceis assimilação além de ter uma capa legal (uma autocrítica da própria banda que tinha assinado com uma gravadora um pouco maior) e claro o poderoso vocal de Kurt Cobain que além de ter uma força energética, era um letrista de mão cheia.
Não podemos esquecer da bateria vibrante de Dave Grol e o baixo melódico de Krist Novisselic. Esses ingredientes todos misturados a um liquidificador de influência que vão de The Stooges a David Bowie.


O Nirvana abriu as portas para o movimento conhecido como grunge, que junto com ela revelaram bandas como Pearl Jam, Alice in Chains, Soundgarden entre outros.

CONTINUA...


quinta-feira, 2 de junho de 2022

Dica de Filme: Titane




Titane (tem na Mubi) e é da mesma diretora de Raw (2018) bom a premissa é muito fora da casinha: Em um acidente quando era criança, a protagonista teve que colocar uma placa de titânio na cabeça! Já adulta, ela vira uma serial killer! Mas o absurdo do filme é que ela fica grávida de um carro!?!?!?! (não é spoiler pq tá na sinopse!) Já nos 30 minutos de filme, eu estava incomodado, stressado com as cenas e tal! As mortes são bem literais e grotescas (como os filmes do "Novo Extremismo Francês") mas esse incômodo é a proposta do filme, que mesmo bizarra, não pareceu "piegas" com a premissa!
Vale muito hein

Para quem gosta de: Filmes da MUBI e da A24



A psicodelia dos anos 60 & 70 no Brasil: Das garagens às misturas regionais




A psicodelia se fez presente no rock nacional com suas guitarras distorcidas e letras lisérgicas desde o final dos anos sessenta, desdobrando-se em som progressivo e outras misturas afins até a primeira metade dos anos setenta, incorporando inclusive as sonoridades regionais, especialmente a nordestina. Enfrentando toda sorte de preconceito, o gênero contribuiu para alargar os horizontes da música jovem brasileira, cujas estruturas conservadoras haviam sido abaladas pouco tempo antes pelo som de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rogério Duprat e Os Mutantes, no movimento batizado de Tropicalismo. Sem apelo comercial, o som psicodélico ficou restrito a grupos mais radicais, ao público mais descolado e sintonizado com o movimento hippie e a poucas gravações, em raros e valiosos lps e compactos.

As primeiras manifestações psicodélicas ocorreram em São Paulo, por meio de grupos como The Beatniks, Os Baobás e The Galaxies, que introduziram em seus repertórios clássicos do gênero produzido nos Estados Unidos, especialmente. The Beatniks, grupo de palco do programa Jovem Guarda (Roberto Carlos) na TV Record, aliado ao agitador cultural e artista plástico Antônio Peticov, produziu ótimos compactos, com covers de Gloria (Them), Fire (Jimi Hendrix) e Outside Chance (The Turtles). Os Baobás, que teve Liminha entre seus membros, também destacou-se por meio de cinco ótimos compactos e um LP, onde registraram sua paixão por Doors, Jimi Hendrix e Zombies, entre outros. Enquanto The Galaxies, misto de paulistas, americanos e ingleses, deixaram um raro e clássico álbum gravado em 1968, contendo canções originais e covers para Love, Donovan e outros ícones da geração flower power.

Ainda nos anos sessenta, outras bandas como The Beat Boys, Os Brazões e Liverpool produziram obras geniais que ficaram na memória de quem viveu a época. The Beat Boys, depois de acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria e Gilberto Gil em Questão de Ordem, gravou um excelente álbum, lançado em 1968, que contém alguns clássicos da psicodelia nacional, como Abrigo de Palavras em Caixas do Céu. Os Brazões também gravaram apenas um ótimo e ultra-tropicalista lp, que contém Gotham City (regravada pelo Camisa de Vênus, nos anos oitenta), Pega a Voga Cabeludo (de Gil), Momento B8 (Brazilian Octopus) e Planador (Liverpool), entre outras pérolas sonoras. Já o grupo gaúcho Liverpool é responsável por um dos melhores álbuns gravados nos anos sessenta, o LP Por Favor, Sucesso, que contém as clássicas Impressões Digitais, Olhai os Lírios do Campo e Voando, entre outras.

Menos conhecidos, grupos como Spectrum, Bango, Módulo 1000, Equipe Mercado e A Tribo também marcaram com suas misturas sonoras o início dos anos setenta. O grupo Spectrum, de Nova Friburgo, com a trilha sonora do filme Geração Bendita, produziu um dos mais raros e desconhecidos discos de psicodelia dos anos setenta, com qualidade internacional, e ainda atual. O carioca Módulo 1000, por sua vez, marcou o início da década de setenta com seu som psicodélico-progressivo, registrado no disco Não Fale Com Paredes, outro clássicos do rock nacional de todos os tempos, relançado em CD. A Tribo, com Joyce, Toninho Horta e outros músicos que depois brilharam na MPB, e Equipe Mercado, tendo à frente a dupla Diana e Stull, transitaram entre a influência roqueira e as sonoridades regionais, deixando algumas poucas gravações.

A partir dessas primeiras experiências, e incorporando o som progressivo, inúmeros grupos transportaram a juventude brasileira para espaços mais livres e criativos, além dos limites impostos pela censura ditatorial. Apoiados na riqueza musical nacional, os grupos misturaram rock, tropicalismo, barroco, jazz, erudito, som oriental, música regional e tudo o mais disponível para criar um dos universos sonoros mais criativos do planeta, naquele momento. Grupos como A Barca do Sol, Som Nosso de Cada Dia, Moto Perpétuo, Som Imaginário, Terreno Baldio, Recordando o Vale das Maçãs, Soma, Veludo, Vímana e Utopia - uns mais conhecidos, outros ainda obscuros para a grande maioria - deram a sua contribuição de ousadia e de inventividade sonora e poética para a história do rock brasileiro.

Ainda, em meados dos anos setenta, Lula Côrtes, Zé Ramalho, Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Paulo Raphael, especialmente, deixaram a marca de uma nova e delirante mistura, que resultou na posterior invasão nordestina. Em 1972, com participação do maestro Rogério Duprat, Alceu Valença e Geraldo Azevedo produziram um disco em parceria, que trazia influências pós-tropicalistas, rock and roll e sonoridades nordestinas, que antecipou o clássico Paêbirú, O Caminho do Sol - raro e ultrapsicodélico álbum duplo, gravado em 1974, sob o comando de Lula Côrtes e Zé Ramalho. Na seqüência, transitando para a afirmação dos ritmos mais regionais, Alceu Valença, Zé Ramalho e o grupo Ave Sangria (de Paulo Raphael), especialmente, ainda produziram peças com viés psicodélico, como Vou Danado Pra Catende (Alceu Valença), A Dança das Borboletas (Zé Ramalho) e Momento na Praça (Ave Sangria).


As bandas e artistas


Apresentamos aqui uma relação das principais bandas e intérpretes que fizeram a história da psicodelia brasileira, nos anos sessenta e setenta. Os verbetes são sintéticos, e alguns deles foram publicados originalmente na revista ShowBizz (de novembro/2000).


Beatniks


Legenda do rock paulistano, The Beatnkis foi o grupo de palco do programa Jovem Guarda e, ao mesmo tempo, responsável por surpreendentes compactos garageiro-psicodélicos. Entre 67 e 68, gravou quatro disquinhos pelo selo Rozemblit contendo covers para Turtles (Outside Chance), Them (Gloria) e Jimi Hendrix (Fire), entre outros. Em suas diversas formações, o grupo contou com Bogô, Regis, Nino, Márcio, Mário e Norival. Antônio Peticov produzia as capinhas psicodélicas da banda.


Código 90


Banda paulistana formada em 67 pelo ex-Top Sounds e Loupha, Marcos 'Vermelho' Ficarelli (guitarra), Mário Murano (teclado), Pedro Autran Ribeiro (vocal), Sérgio Meloso (bateria) e Vitor Maulzone, além do guitarrista Tuca. Agitaram as domingueiras do Clube Pinheiros, em São Paulo, com apresentações psicodélicas, e deixaram apenas um raro compacto pelo selo Mocambo/Rozenblit - Não Me Encontrarás/Tempo Inútil (67).


Serguei


Com visual/postura rocker-hippie e uma discografia dispersa em raros compactos, Serguei é um ser psicodélico por natureza. Em 67, gravou Eu Sou Psicodélico, As Alucinações de Serguei e o mix de rock-Jovem Guarda-protesto chamado Maria Antonieta Sem Bolinhos. Em 69, com a banda The Cougars, gravou Alfa Centauro, um flerte com o tropicalismo, sem perder a 'acidez'. Ouriço e Burro-Cor-de Rosa também são clássicos de sua discografia e da psicodelia nacional.


Os Baobás


Grupo que antecipou a chegada do hit Light My Fire (The Doors) no Brasil, em gravação que contou com o futuro Mutantes e produtor Liminha no baixo. Inicialmente beat, enveredou pela psicodelia clássica "importada", que resultou na gravação do único álbum em 68, contendo diversos covers (entre eles, Oranges Skies, do Love), pelo selo Rozemblit. Também lançaram cinco compactos, com destaque para a versão de Paint It Black/Pintada de Preto (The Rolling Stones). O grupo tocou com Ronnie Von, com quem gravou um compacto (Menina Azul) e flertou com o tropicalismo, acompanhando Caetano Veloso em shows, em substituição aos Beat Boys. A primeira formação do grupo contou com Ricardo Contins (guitarra), Jorge Pagura (bateria), Carlos (baixo), Renato (guitarra solo) e Arquimedes (pandeiro). Também passaram pelas diversas formações da banda Rafael Vilardi (ex-O'Seis), Guga, Nescau, Tuca e Tico Terpins (depois Joelho de Porco).


Beat Boys


Um misto de brasileiros e argentinos radicados em São Paulo, o grupo Beat Boys ficou conhecido por acompanhar Caetano Veloso em Alegria Alegria, no Festival da Record e em disco. Integravam o grupo Cacho Valdez (guitarra), Willy Werdaguer (baixo), Tony Osanah (vocal e pandeiro), Marcelo (bateria). Toyo (baixo e teclados) e Daniel (outra guitarra). Gravou um único álbum pela RCA Victor, lançado em 68, contendo Abre, Sou Eu (Billy Bond) e covers radicais como Wake Me, Shake Me (The Blues Project).


The Galaxies


O garageiro The Galaxies era formado pelo inglês David Charles Odams (guitarra e vocal), pela americana Jocelyn Ann Odams (maracas e vocal) e pelos brasileiros Alcindo Maciel (guitarra e vocal) e José Carlos de Aquino (guitarra e bateria. Lançado pelo selo Som Maior, o álbum contém cover para Orange Skies (Love) e composições próprias, como Linda Lee, de David e Carlos Eduardo Aun, o Tuca, ex-Lunáticos, e depois Baobás, que também toca no disco.


Suely & Os Kantikus


Grupo formado pela ex-O'Seis (o pré-Mutantes), Suely Chagas, mais os guitarristas Lanny Gordin e Rafael Vilardi (também do pré-Mutantes). O grupo ganhou o Festival Universitário de São Paulo, em 1968, com a música Que Bacana. Na linha tropicalista, gravou um único compacto (Que Bacana/Esperanto), que traz Lanny em um dos seus melhores e mais radicais trabalhos de fuzz-guitar.


Brazilian Octopus


Apesar da orientação jazística, com pitadas de bossa-nova, o grupo pincelava seu som com climas tropicalistas-psicodélicos (incluindo a logotipia do nome na capa do único álbum gravado). A distorção ficava por conta de Lanny Gordin e sua guitarra fuzz e seu wah-wah em canções como As Borboletas e Momento B/8 (parceria do grupo com Rogério Duprat) Integravam o grupo, entre outros, o multi-instrumentista Hermeto Paschoal e o guitarrista Olmir 'Alemão' Stocker.


Liverpool


Com atitutude e visual "Jefferson Airplane", e responsável por verdadeiras viagens sonoras nos palcos, transitou na fronteira do tropicalismo com a psicodelia universal, secundando os Mutantes em criatividade e, especialmente, qualidade instrumental. Integravam o grupo, Mimi Lessa (guitarra), Edinho Espíndola (bateria), Fughetti Luz (cantor), Pekos (baixo) e Marcos (base). Gravou o único álbum em 69, pelo selo Equipe, contendo elaboradas canções com fuzz-guitar no talo, a exemplo de Voando, Impressões Digitais e Olhai Os Lírios do Campo. No início dos anos 70, ainda gravou mais dois compactos, um (duplo) para a trilha do filme Marcelo Zona Sul, e outro, sob o nome de Liverpool Sound, com as músicas Fale e Hei Menina. Com o fim do grupo, seus integrantes, menos Pekos, juntam-se ao ex-A Bolha, Renato Ladeira, para formar o Bixo da Seda, que retornou ao rock and roll "stoniano" das origens da banda.


Mutantes


Um dos mais importantes grupos da história do rock, não apenas nacional, mas mundial, não ficando nada a dever aos grandes ícones da revolução musical dos anos sessenta, até mesmo aos Beatles, em vários momentos de sua obra. Deixaram pelo menos três discos clássicos da discografia brasileira e, outra vez, mundial, com uma riqueza de idéias, de arranjos e de soluções instrumentais, que surpreendem até hoje, e provocam uma "redescoberta" por parte dos mais importante músicos nacionais e estrangeiros. Apesar disso, permaneceram por um bom tempo ignorados, até serem relançados ainda em vinil pelo selo paulistano Baratos Afins, em meados dos anos oitenta. São donos de uma infindável coleção de hits e, também, de um baú de raridades, que, além do já lançado Tecnicolor (originalmente gravado em setenta, mas inédito até 2000), renderiam, pelo menos, um bom cd simples.


Ronnie Von


Iniciou a carreira cantando Beatles, e com seu terceiro disco, que tem participação dos Mutantes, Beat Boys e arranjos de Rogério Duprat, acabou virando uma espécie de laboratório experimental do tropicalismo. Mas sua mais importante contribiuição a história da psicodelia nacional é o o disco lançado em 68, com arranjos de Damiano Cozzela, que traz os mais radicais experimentos sonoros daquela segunda metade de década, somente igualados ou superados pelos Mutantes. É neste disco que está a clássica Silvia, 20 Horas Domingo, recentemente regravada pelo grupo gaúcho Vídeo Hits, com participação do próprio cantor. Ronnie Von ainda gravou mais dois álbuns com essa orientação: A Misteriosa Luta do Reino de Parassempre Contra o Império de Nuncamais e A Máquina do Tempo, o último antecipando o rock progressivo, que chegaria ao Brasil um pouco mais tarde. Atualmente, Ronnie Von tem sido alvo de um revival que, definitivamente, resgata a sua verdadeira importância na história do rock nacional.


Os Brazões


Grupo responsável por uma das melhores fusões de tropicalismo com psicodelia universal, festejada por Nelson Motta, na contra-capa do seu único álbum, lançado 70. Integravam os Brazões, Miguel (guitarra base), Eduardo (bateria), Roberto (guitarra solo) e Taco (baixo). Tornaram-se conhecidos por acompanhar Gal Costa em shows e defender Gothan City, de Macalé e Capinam, no IV Festival Internacional da Canção Popular, em 69 (a mesma que ganhou cover punk do Camisa de Vênus, nos anos oitenta). Lançaram um dos principais trabalhos da discografia psico-tropicalista, recheado de guitarras fuzz, contendo versões para clássicos como Pega a Voga Cabeludo, Volkswagen Blues e Modulo Lunar. Miguel, depois Miguel de Deus, entrou de cabeça na onda funk, gravando o álbum Black Soul Brothers (77).


O Bando


Outra banda que misturou MPB, música regional e pitadas de psicodelia. Em 69, lançou seu único álbum, com arranjos dos maestros Rogério Duprat, Damiano Cozzela e Júlio Medaglia. Em clima tropicalista, cantam Jorge Ben, Caetano Veloso e os novatos gaúchos Hermes Aquino e Lais Marques. Integravam O Bando, Diógenes, a cantora Marisa Fossa (que depois gravou com Duprat), Américo, Dudu, Emílio, Paulinho e Rodolpho.


Blow Up


Nascido em Santos, com o nome The Black Cats, começou tocando rock instrumental, passou pela beatlemania e, no final dos anos 60, acabou na psicodelia. Inspirado no filme homônimo de Antonioni, trocou de nome e gravou dois álbuns com a nova orientação: o primeiro em 69, e o segundo em 71, chamado apenas Blow Up, mas também conhecido como Expresso 21. Integravam a primeira formação Robson (guitarra solo), Hélio (bateria), Tivo (baixo e vocal), Zé Luis (vocal), Nelson (teclado) e Adalberto (guitarra base).


Os Leif's


Histórico grupo baiano formado pelo guitarrista Pepeu Gomes, seu irmão Jorginho, mais Carlinhos e Lico, que acompanhou Caetano Veloso e Gilberto Gil no show-disco Barra (69). Também foi responsável pelo acompanhamento psico-tropicalista em diversas faixas do primeiro álbum dos Novos Baianos - Ferro na Boneca (70), com destaque para a fuzz-guitar de Pepeu. Antes, formavam Os Minos, que gravou dois compactos, pelo selo Copacabana, em 67.


Som Imaginário


Outro grupo que passeou com maestria nas fronteiras da psicodelia e do progressivo com a moderna MPB e toques de jazz, produzindo clássicos do gênero como Morse, Super God, Cenouras (… "vou plantar cenouras na sua cabeça"). Integraram o grupo em suas várias formações mestres do instrumento, como Wagner Tiso (teclados), Luís Alves (contrabaixo), Robertinho Silva (bateria), Tavito (violão), Frederyko (guitarra), Zé Rodrix (teclados, voz e flauta), Laudir de Oliveira (percussão), Naná Vasconcelos (percussão) e, ainda, ocasionalmente, Nivaldo Ornelas (sax) e Toninho Horta (guitarra). Gravaram os discos Som Imaginário (70), Som Imaginário - 2 (71) e Matança do Porco (73). Os três lps foram relançados conjuntamente em cd, em 98, pela gravadora EMI, enquanto a música Super-God (do primeiro lp) foi incluida na coletânea Love, Peace & Poetry - Latin American Psychedelic Music, lançada pelo selo alemão Q.D.K Media.


A Bolha


Legendária banda do rock nacional, formada em 65, no Rio de Janeiro, pelos irmãos Cesar e Renato Ladeira (guitarra e teclados), mais Lincoln Bittencourt (baixo) e Ricardo (bateria), gravou um único compacto nesta fase, com o nome The Bubbles, em 66. No final da década, assumiram o nome A Bolha e orientaram seu som para o hard rock, inicialmente, e depois para climas progressivos-psicodélicos. Em 1970, acompanharam Gal Costa na excursão a Portugal e assistiram ao festival da Ilha de Wight, na Inglaterra. Com nova formação - Renato (teclados), Pedro Lima (guitarra), Arnaldo Brandão (baixo) e Gustavo Schroeter (bateria), gravou o clássico compacto Sem Nada/18:30 (Os Hemadecons Cantavam em Coro Chôôôôô ...), em 1971, e mais dois álbuns - Um Passo à Frente (73) e É Proibido Fumar (77). O primeiro álbum já ganhou reedição em cd, que traz ainda o segundo compacto.


O Terço


Um dos mais expressivos grupos dos anos 70, O Terço transitou por todas as praias, indo do folk-rock ao progressivo, sempre com elementos psicodélicos. Originalmente formado por Sérgio Hinds, Jorge Amiden, Vinicius Cantuária, gravou dois álbuns com orientação psicodélica (o primeiro) e progressiva (o segundo). Em 75, depois de alguns compactos, e incorporando o folk e sonoridades regionais, o grupo gravou Criaturas da Noite, com arranjos de Rogério Duprat e capa de Antônio Peticov. Na mesma época, com as mesmas bases instrumentais, mas com vocais em inglês, o álbum foi lançado na América Latina e na Europa (no Brasil, saiu apenas um compacto com Criaturas da Noite/Queimada - Creatures of Night/Shining Days, Summer Nights). O Terço ainda gravou outro clássico da discografia roqueira nacional, o álbum Casa Encantada (lançado em um "dois em um" junto com Criaturas da Noite).


Spectrum


Um dos mais raros grupos de psicodelia do Brasil, formado eventualmente pelos atores e participantes do filme Geração Bendita, dirigido por Carlos Bini e rodado em Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, em 1971. Denominado Spectrum, o grupo integrado pelos músicos/atores Toby, Fernando, Caetano, Serginho e David gravaram o disco Geração Bendita, com letras falando do clima do filme e da época e guitarras distorcidades. Lançado no mesmo ano, o disco é uma das peças mais raras da discografia do rock nacional, com edição apenas no exterior.


Equipe Mercado


Liderado pela dupla Diana & Stull, agitavam a cena carioca com seu rock psicodélico no início dos anos 70. Também integravam o grupo, Leugruber e Ricardo Guinsburg (guitarras, violões e vocais), Carlos Graça (bateria) e Ronaldo Periassu (percussão e texto). Participaram do show 'Betty Faria, Leila Diniz e o Mercado Na Deles', dirigido por Neville D'Almeida, com texto de Luis Carlos Maciel (editor do Rolling Stone). Participaram de coletânea ao lado de Som Imaginário, Módulo 1000 e Tribo, com a música Marina Belair.


A Tribo


Outro grupo que transitou entre MPB, jazz e sonoridade regionais, com roupagem psicodélica. Integravam o grupo os músicos Toninho Horta, Joyce, Novelli, Hélcio Milito, Nelson Angelo e Naná Vasconcelos. O grupo gravou as músicas "Kirye" e "Peba & Pebó", presentes na coletânea lançada pela Odeon, ao lado dos grupos Módulo 1000, Equipe Mercado e Som Imaginário.


Bango


Um dos raros grupos contemporâneos que demonstrou explícita influência dos Mutantes, que pode ser conferida em seu único álbum (Musidisc, 71). Som pesado, fuzz-guitar e letras viajandonas produziram um som com qualidade internacional. Seus integrantes - Aramis, Sérgio, Elydio e Roosevelt - eram oriundos do grupo carioca de Jovem Guarda, Os Canibais, autor de um ótimo disco (68), contendo covers de Turtles, Outsiders (EUA) e Turtles.


Módulo 1000


Grupo de hard-psicodélico-progressivo formado no início dos anos setenta, considerando internacionalmente um dos melhores do gênero, ao lado do também carioca Spectrum. Integravam o grupo Luis Paulo (órgão, piano, vocal), Eduardo (baixo), Daniel (guitarra, violão, vocal) e Candinho (bateria). Gravou um único lp chamado Não Fale Com Paredes, pelo selo Top Tape, em 71, e alguns poucos compactos. O lp original, incluindo a capa em três partes, foi relançado quase anonimamente pelo selo Projeto Luz Eterna (98). Em setembro de 2000, o álbum também ganhou reedição em vinil na Alemanha, novamente com reprodução integral da arte original. A música Lem Ed Êcalg (Mel de Glacê, ao contrário) ainda foi incluída na coletânea de bandas psicodélicas latinas Love, Peace & Poetry, ao lado do Som Imaginário.


Matuskela


Grupo brasiliense liderado por Anapolino (Lino), mais Didi, Toninho Terra, Zeca da Bahia e Vandão, que fez grande sucesso local no início dos anos setenta. Gravaram um lp chamado Matuskela, pelo selo Chantecler, com sonoridade folk-psicodélica, destacando-se a canção A Idade do Louco, de Zeca da Bahia e Clodo, que depois fez parte do trio Clodo, Clésio & Climério. A capa do álbum, com o grupo sentado em uma gigante mão de pedra, é outra raridade da iconografia nacional.


Damião Experiência


Autodefinindo-se como "doidão" e influenciado por Jimi Hendrix, produziu raros e surpreendentes discos, misturando psicodelia, blues, sons afro-orientais, guitarras "Frank Zappa" e letras absurdas e incompreensíveis. Lançou seu primeiro disco em 74, intitulado Damião Experiência no Planeta Lamma, que abriu caminho para outras clássicas raridades, como Damião Experiença Chupando Cana Verde no Planeta Lamma e Em Boca Calada Não Entra Mosca, Só Felicidade.


Scaladácida


Formado por Fábio (guitarra), Bartô (teclados), Sérgio Kaffa (baixo) e por Ritchie (flauta e vocais) brilhou no cenário underground paulistano da primeira metade dos anos 70. Com a maioria das letras em inglês, realizou shows sensacionais, mas não chegou a gravar. Seu integrante mais importante, antes de ressurgir nos anos 80 com Menina Veneno, ainda integrou o trio Soma e os grupos A Barca do Sol e Vímana - neste, ao lado de Lulu Santos, Lobão e Fernando Gama.


Lula Côrtes & Zé Ramalho


Em parceria, a dupla produziu a síntese mais alucinada do que se poderia chamar de psicodelia brasileira: o álbum duplo Paêbirú (O Caminho do Sol), que mistura sonoridades regionais, experimentalismo tropicalista e influência do rock internacional. Solo, Lula Côrtes gravou em 73, o também clássico Satwa, com participação de Lailson e do guitarrista Robertinho de Recife, onde repete a explosiva mistura em canções com nomes como Valsa dos Cogumelos ou Alegro Piradíssimo. Zé Ramalho, por sua vez, cinco anos depois, também lançou Avohay reverberando a já fora de moda psicodelia em canções como A Dança das Borboletas. Um álbum clássico, ainda por ser devidamente incluido entre as principais manifestações da mais radical psicodelia nacional e mundial. Exceto Avohay, os dois discos foram lançados de forma alternativa, por selos regionais.


Flaviola e o Bando do Sol


Outro representante da geração nordestina pós-tropicalismo, que teve em Paêbirú, de Lula Côrtes e Zé Ramalho, sua expressão mais radical. Também pernambucano, Flaviola e o Bando do Sul gravou apenas um álbum, lançado pelo selo local Solar, em 1974. Com base em ritmos regionais, produziram um raro mix de folk-rock-psicodelia, que permanece com extrema atualidade. Instrumental rico, na base de violões, violas, guitarras, flautas e percussão.


Soma


Trio formado pelo ex-The Outcasts, Bruce Henry (baixo), mais Jaime Shields (guitarra), Alírio Lima (bateria e percussão) e Court (vocal e flauta) - ou seja, Richard Court, o futuro Ritchie. Participaram do lp O Banquete dos Mendigos, gravado ao vivo em 1974, em comemoração dos 25 anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, com a música P.F., com letras em inglês. O grupo ainda gravou mais quatro músicas, que integram a obscura coletânea Barbarella, lançada em 1971.


A Barca do Sol


Em meados dos anos setenta, a Barca do Sol botou pra quebrar na cena underground, produzindo uma refinada mistura de MPB, sonoridades progressivas/psicodélicas, instrumental quase barroco e poesia (Geraldinho Carneiro). A apresentação das músicas do lp Durante o Verão, em forma de cardápio, define o clima da Barca do Sol: O Banquete (sal de frutas, Sargent Pepper's, sopa de cabeça de bode) … Beladonna, Lady od The Rocks (cogumelos, candomblé, corações solitários) … Espécie de padrinho do grupo, Egberto Gismonti produziu o primeiro álbum, que introduzia o uso de sintetizador em duas faixas, novidade na época. A Barca do Sol gravou três discos: A Barca do Sol (74), Durante o Verão (76) e Pirata (79), os dois primeiros reeditados no formato dois em um. A Barca do Sol, entre 74 e 81, contou com Jacques Morelembaum, Nando Carneiro, os irmãos Muri Costa e Marcelo Costa, Beto Resende, Marcelo Bernardes, Alan Pierre e David Ganc, além de Stull e Richard Court, o Ritchie.


Moto Perpétuo


Liderado pelo ex-Brazilian Boys, Guilherme Arantes, que depois fez sucesso como compositor e intérprete solo, gravou um álbum com forte influência do psicodélico-progressivo na linha "Yes". Integravam o grupo, além de Arantes (teclados e vocal), Egydio Conde (guitarra solo e vocais), Diógenes Burani (percussão e vocais), Gerson Tatini (baixo e vocal) e Claudio Lucci (violão, violoncelo, guitarra e vocal). O disco tem produção de Pena Schmit.


Perfume Azul do Sol


Grupo paulista formado por Ana (voz e piano), Benvindo (voz e violão), Jean (voz e guitarra) e Gil (bateria e vocal). Com visual hippie e psicodelia derivada de ritmos e instrumental regionais, gravaram um único álbum - Nascimento -, pelo selo Chantecler, em 1974. O baixista Pedrão, depois integrou o Som Nosso de Cada Dia, ao lado do ex-Íncríveis, Manito.


Casa das Máquinas


Transitando entre o glam e o hard rock, o grupo Casa das Máquinas gravou o álbum Lar das Maravilhas (75), um clássico do mix psico-progressivo nacional. Liderado pelo ex-baterista dos Incríveis, Netinho, o Casa contava ainda com o ex-Som Beat, Aroldo Santarosa, Pisca, Carlos Geraldo, Marinho, Marinho II, Simba.O futuro vocalista do Golpe de Estado, Catalau participava do grupo, dividindo a autoria de várias canções.


Ave Sangria


Na onda da "invasão nordestina", o Ave Sangria foi uma das primeiras e mais radicais bandas, misturando sonoridades regionais, blues e rock com roupagem psicodélica. Formada por Marco Polo (vocais), Almir (baixo), Israel Semente (bateria), Juliano (percussão), contava ainda com a presença de dois grandes guitarristas: Ivson Wanderley (Ivinho), que também gravou um raro álbum de viola ao vivo no Festival de Montreaux, e Paulo Raphael, que depois tocou com Alceu Valença. A banda gravou apenas um luminoso e instigante álbum, destacando as faixas Dois Navegantes, Momento na Praça, Cidade Grande e a instrumental Sob o Sol de Satã. Lançado pelo selo Continental em 75, o álbum Ave Sangria foi reeditado em vinil em 90 (pela Baratos Afins), mas permanece inédito no formato digital. Ainda por ser redescoberto em toda sua beleza, o álbum tem uma das mais criativas capas da iconografia roqueira nacional (Sérgio Grecu e Equipe).


Utopia


Legenda do rock rock gaúcho, que agitou a cena local em meados dos anos setenta. Misturando sonoridades regionais, músicas árabe e folk rock, realizou shows memoráveis na capital gaúcha. Integravam o grupo Bebeto Alves - que desenvolveu carreira solo - (guitarra, viola de 12 e flauta), Ricardo Frota (violino) e Ronald Frota (violões). Deixaram apenas registros radiofônicos (na legendária rádio Continental), tendo um deles - Coração de Maçã, resgatado no cd A Música de Porto de Alegre.


Som Nosso de Cada Dia


Liderado pelo multi-instrumentista Manito, ex-integrante do grupos Os Incríveis (antes, The Clevers), o Som Nosso de Cada Dia foi um dos expontes do som psicodélico-progressivo dos anos setenta. Ao lado de Manito estavam Pedrinho (baterial e vocal), Pedrão (baixo, viola e vocal). Além de Marcinha (coro), ainda participaram do grupo Egídio (guitarra), Dino Vicente (teclados) e Rangel (percussão). O grupo gravou dois lps, Snegs (1975) e Som Nosso de Cada Dia (1976).


Veludo


Uma das legendas do hard rock-progressivo nacional, formado por volta de 1974 por Nelsinho Laranjeiras (baixo), Elias Mizrahi (teclados), Paul de Castro (guitarra) e Gustavo Schroeter (bateria). Responsável por fantásticas e longas jams instrumentais, teve um desses momentos resgatado recentemente, com o lançamento de cd contendo o show realizado no festival Banana Progressiva, realizado em São Paulo, em 1975.


Vímana


Espécie de ponte entre os anos setenta e oitenta, o Vímana brilhou na cena carioca com seu hard-progressivo. Formado em 1974, contava com Lulu Santos (guitarra), Lobão (bateria), Fernando Gama (baixo) e Ritchie (vocais). Deixaram gravado um compacto, contendo a música Zebra e participaram de discos de outros artistas, destacando-se Luiza Maria e Fagner (nas músicas Riacho do Navio e Antônio Conselheiro, do disco Ave Noturna).


Marconi Notaro


Contemporâneo de Lula Côrtes, Zé Ramalho e Lailson, Marconi Notaro gravou o LP 'No Sub Reino dos Metazoários', na linha de obras clássicas como 'Paebirú' e 'Satwa'. Lançado em 1973, e um dos mais raros da discografia nacional, o disco contém peças da mais radical psicodelia nordestina pós-tropicalista. Participam do disco Zé Ramalho, Lula Côrtes, Robertinho de Recife e outros músicos da região.


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

E vai começar tudo de novo... ou tô de saco cheio dessa p.




E lá vamos nós, iniciar mais uma vez as eleições!!

Dá-lhe encher o facebook de pré-candidatos.

Parece que é quase todos os conhecidos seus que estão se candidatando.

Mas sinto-me com um desânimo nesse período.

Primeiro: Acho que nem deveria ter eleição esse ano caótico que foi 2020

Segundo: Eu tô de saco cheio disso

Minha dignidade não foi colocada no lixo

"aaa mais vota no menos pior"

Cara não acho que os políticos são iguais

Tem piores e piores e piores...

Acho que a democracia brasileira é um mero devaneio utópico

Com a população procurando "vantagens" com os candidatos 

Que me desculpe, são tudo um pé no saco.

A direita é inviável pra mim

E a esquerda já não reconheço mais

Ou seja, vou ficar na minha e continuar na cruzada

Como Dom Quixote

Achando que faz a diferença qualquer coisa que coloco...


quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Jogos de Simulação: Euro Truck Simulator 2

 



Me vicei nesse game, Euro Truck Simulator:


Euro Truck Simulator 2 é um jogo de simulador de caminhões disponível para download no Windows e Linux via Steam - veja como jogar e os requisitos. O game conta com novidades consideráveis em relação ao antecessor, o Euro Truck Simulator como, por exemplo, uma enorme quantidade de cidades para se visitar e rotas para se fazer, além de simulação ainda mais realista nos caminhos e muito conteúdo personalizável. 

Um dos destaques do jogo é a infinidade de mods disponíveis para se baixar, que vão desde mods divertidos com skins do ônibus da seleção do Brasil até até a adição de um modo multiplayer online. Além disso, é possível fazer diversas personalizações.

O game está em constante atualização. Novos trailers e cargas chegam por meio de DLCs. Saiba como atualizar Euro Truck Simulator 2.

No título, você assume o controle de um caminhoneiro de carga que precisa realizar serviços a longas distâncias. Todas as suas habilidades serão testadas, desde a perseverança, passando pela habilidade de direção e até mesmo sua velocidade, para que tudo seja entregue na hora correta, encarando até mesmo engarrafamentos.

Como o nome denuncia, o jogador irá visitar diversas cidades da Europa, incluindo locais no Reino Unido, Itália, Alemanha, Holanda e Polônia. Dezenas de cidades estarão disponíveis, para que você teste suas habilidades de pilotagem, manobra e capacidade de entrega dentro do horário combinado.

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Dica de Filme: O Menino que descobriu o vento

Expõe fortes e inadmissíveis questões sociais, ressalta o poder das habilidades pessoais quando aliadas às conceituais e demonstra o poder transformador do empreendedorismo e da inovação.

The Boy Who Harnessed the Wind, é um filme de drama britânico de 2019, dirigido e estrelado por Chiwetel Ejiofor em sua estreia como diretor. O filme é baseado no livro de memórias The Boy Who Harnessed The Wind, de William Kamkwamba e Bryan Mealer. Com base nessa obra cinematográfica, fiz cinco relações com o mundo do empreendedorismo para refletirmos.


1 - A oportunidade está em todo o lugar

William Kamkwamba, personagem principal da obra, sentia a todo instante a curiosidade e o desafio batendo a sua porta. Enquanto a fome assolava sua família, ele foi capaz de encontrar no vento a chave para trazer água para a sua comunidade. Não sabia como era possível, mas uma voz interior (que pode ser chamada da forma que preferir) sempre o instigava a ousar. Em meio à seca africana, à fome, o sol escaldante e a oposição dos cegos de plantão, ele encontrou a oportunidade e prosperou.


2 - Empreender é questão de sobrevivência

Não há nenhuma novidade na literatura e nos cases de administração que lemos que as crises geram oportunidades. Muitas vezes, somente com um empurrão que abala nosso psicológico, saímos definitivamente da zona de conforto e criamos algo. William descobriu a energia eólica e muitos empreendedores descobriram que é possível prosperar após uma derrota.


3 - Resiliência amplia chances de sucesso

Um dos pontos que também precisa ser ressaltado durante o filme é o sentimento de angústia e desesperança perene. Sonhar em um mundo cético é avassalador. Mesmo sentados no conforto de nosso lar é possível sentir a angustia da situação, as críticas e o deboche. “Você gosta de fazer brinquedos, William”. Imagine ouvir isso enquanto você tem a solução para salvar milhões da fome.


4 - A negativa não pode nos desencorajar

A luta por defender argumentos, convicções com educação e respeito a todo o momento também marcam a personalidade de William.

Quando tudo conspira contra, é preciso recomeçar. O personagem inspirado na história real comprovada com relatos e imagens chorou, apanhou e passou incríveis necessidades. Porém, nunca desistiu dos seus sonhos. Empreender é vender e pôr em prática sonhos todos os dias.


5 - Recursos importam, mas determinação supera

A falta de ferramentas, recursos e de apoio da sociedade ficaram evidentes em todo o filme. Mas sempre William surpreendia.

Assistindo a aulas escondido, lendo livros técnicos rapidamente e vasculhando um lixão de ferro velho para encontrar baterias sem carga, o jovem perseverava. Muitas vezes o empreendedor não começa nas melhores condições. Não tem uma sede bonita, um capital de giro ou conhecimento gerencial. Mas se ele acorda pela manhã com a certeza de que está o caminho certo, uma hora a maré tende a virar.


Texto professor Robson.

terça-feira, 19 de janeiro de 2016

Projeto Baquaqua



Ele nasceu livre. Mahommah Gardo Baquaqua, como muitos outros africanos escravizados nas Américas, teve uma cidade natal, uma família e em alguma parte de sua juventude sofreu com a violência da guerra. Ele foi escravizado e enviado para o Brasil em um tumbeiro (navio negreiro), chegando em Pernambuco em 1845. Esta é apenas uma parte da história de Baquaqua, que lançou sua biografia nos EUA em 1854. Agora, a população brasileira poderá ter acesso a uma versão em português do único registro em primeira pessoa, que se tem notícia, sobre a trajetória de um africano escravizado em nossas terras. http://bit.ly/2323K4z 


Você também pode acessar o site educativo "Projeto Baquaqua" para mais informações: http://www.baquaqua.com.br/ Fonte: Ministério da Cultura



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Roma Parte 1: A formação e a Monarquia.

ROMA ANTIGA PARTE I - A FORMAÇÃO E A MONARQUIA




A formação da Roma antiga

ü  Localização geográfica: Península Itálica (Rio Tibre)



a)    Origem Histórica:
ü  Séc. X a.C.  – italiotas (povos de origem indo-europeia) ocuparam a região centro-norte da península. Eles se dividiam em diversos grupos ou tribos, como os sabinos, os latinos.
ü  Ao norte viviam, na Etrúria, habitavam os etruscos, que constantemente atacavam as aldeias das tribos italiotas.
ü  Séc. VIII a.C. – Latinos se uniram e construíram uma fortificação para se defender de ataques dos Etruscos.
b)   Origem Lendária:
Lenda de Rômulo e Remo (gêmeos que foram amamentados por uma loba)

Diz a lenda que quando Tróia caiu, o príncipe troiano Enéias conseguiu salvar-se. Após uma longa peregrinação, chegou ao Lácio. O filho de Enéias fundou a cidade de Alba Longa. Os descendentes de Enéias reinavam em Alba. Um deles, foi Numitor, que tinha uma filha Réia Silvia. Silvia foi seduzida pelo deus grego Ares (para os romanos Marte) ficando então grávida de gêmios.

Numitor tinha um irmão, Amúlio. Este desejava o trono de Alba Longa deu um golpe de estado, apoderou-se da coroa e fez Numitor seu prisioneiro. Réia Sílvia foi entregue ao colégio de Vestais. Amúlio ao saber que Sílvia teria dado a luz a gêmeos, para que Numitor não tivesse descendentes, colocou as crianças em um cesto e os lançou no rio Tibre. A correnteza jogou o cesto para a margem. Os dois irmãos foram salvos por uma loba enviada por Marte, que os amamentou e os protegeu.

Os dois irmãos foram achados pelo pastor Fáustulo, ele os recolheu, deu-lhes os nomes de Rômulo e Remo e confiou-os a Aca Larência, sua esposa. Já adulto, Remo envolveu-se numa rixa com alguns pastores, foi preso e conduzido a Amúlio. Informado por Fáustulo das circunstâncias do seu nascimento, Rómulo dirigiu-se ao palácio e libertou o irmão. A seguir, matou Amúlio, restabelecendo no trono a seu avô Numitor.

Numitor, agradecido, deu-lhes o direito para fundar uma cidade às margens do Tibre. Para saberem o local onde seria mais propícia a sua edificação, seguiram os presságios, como era de costume na época. Remo dirigiu-se ao Aventino e viu seis abutres sobrevoarem o monte. Indo até o Palatino, Rômulo viu doze aves. Então, Favorecido pelos augúrios, Rômulo fez um sulco em volta da colina, demarcando o pomerium, recinto sagrado da nova cidade. Enciumado por não ter sido escolhido pelos presságios, Remo escarneceu do irmão, afirmando que o local era mal protegido; num salto, atravessou o sulco. Os dois se lançaram em um briga e Remo foi morto por Rômulo, que o enterrou sob o Aventino.

Após a fundação da cidade, Rómulo preocupou-se em povoá-la. Criou um Capitólio para refúgio de todos os banidos, devedores e assassinos da redondeza. Como faltavam mulheres, durante uma festa, os novos habitantes raptaram todas as jovens do povo vizinho, os sabinos. Estes, reunidos sob o comando de Tito Tácio, atacaram Roma. Com a ajuda de Tarpéia, conseguiram penetrar no Capitólio. Entretanto, graças à intervenção pacificadora das mulheres, romanos e sabinos assinaram um tratado de paz. Tito Tácio e Rómulo passaram a governar em conjunto. Depois da morte de Tito Tácio, Rómulo reinou sozinho durante 33 anos.

A influência etrusca e grega
É certo que os etruscos influenciaram muitos costumes romanos e chegaram a dominar Roma durante vários anos.
ü  Hábito de vestir túnica,
ü  A prática religiosa de interpretar a vontade divina pela observação das vísceras de animais
ü  Culto a Júpiter (deus romano do dia, comumente identificado com o deus grego Zeus) e Minerva (deusa romana das artes e da sabedoria, correspondente à grega Atena).
ü  Roma cresceu com a presença dos etruscos: o comércio aumentou, canais de drenagem foram construídos para secar os pântanos nas planícies e a área onde ficava o fórum tornou-se o centro da cidade, local de mercado e de assembleias políticas.

I.              MONÁRQUIA (753 A.C. - 509 A.C.)

Organização Social
Nesse período, a sociedade romana dividia-se basicamente em quatro grandes grupos:

a)    PATRÍCIOS
(do latim patres, pais, chefes de família) consideravam-se descendentes dos fundadores de Roma. E, assim, justificavam o fato de se-rem os únicos a possuir todos os direitos políticos. Formavam a aristocracia, eram os mais ricos, possuíam a maior parte do gado e das terras e ocupavam altos postos no exército.

b)   PLEBEUS
(de plebes, multidão) formavam a maioria da população. Pobres, viviam como camponeses, artesãos, comerciantes, faziam parte do exército romano em épocas de guera e, geralmente, trabalhavam para os patrícios. Alguns plebeus eram pequenos proprietários de terra. A maioria dos plebeus era livre, mas sem direitos políticos, o que os impedia de participar do governo da cidade. Mesmo quando enriqueciam, continuavam sem ter o direito de participar das decisões que envolviam a vida de Roma. Muitos plebeus eram convocados para a guerra em plena época de plantio e colheita. Quando voltavam, viam-se obrigados a contrair empréstimos, usando sua propriedade como garantia (hipoteca). Quando não conseguiam pagar as dívidas, perdiam a propriedade e a liberdade, tornando-se escravos.

c)    CLIENTES
Grupo intermediário entre os patrícios e os plebeus –, que eram servidores ou protegidos dos nobres. Esse grupo era constituído, em geral, por pessoas pobres, escravos libertos, estrangeiros que enriqueceram por meio do comércio, ou por filhos ilegítimos, que dependiam da proteção de um patrício para sobreviver.

d)   ESCRAVOS
 A maioria da população escrava era composta de indivíduos vencidos em guerra. Não possuíam nenhum direito, eram considerados instrumentos de trabalho e recebiam castigos pesados.

Organização Política:
a)    O REI
Concentrava o poder, acumulando várias funções. Além dele, a cidade era administrada pelo

b)   SENADO
Instituição formada por representantes das famílias mais importantes de Roma. O Senado era responsável pela escolha do rei, preparava uma lista de três candidatos e a apresentava à Assembleia das Cúrias

c)    ASSEMBLEIA DAS CÚRIAS
A Comitia Curiata compunha-se de cidadãos agrupados em cúrias. Todas integradas por guerreiros com até 45 anos. Função era Eleger altos funcionários, Aprovar ou rejeitar leis e Aclamar o rei. No entanto, os poderes eram limitados: devia ouvir a opinião do Senado em todas as questões relativas à cidade e também dependia das assembleias para garantir seu poder.

O fim da Monarquia em Roma

No final do século VI a.C, os reis etruscos foram responsáveis por vários problemas: desrespeito as tradições romanas, entre elas o respeito às decisões do Senado; eram extremamente autoritários, o que dificultava sua relação com os aristocratas de Roma; além disso, viram seu poder enfraquecer devido às frequentes guerras. Tal situação favoreceu a oposição e o levante dos patrícios, que acabaram por expulsar os etruscos em 509 a.C., no governo de Tarquínio Soberbo, dando início ao período da história romana conhecido como República.

REFERÊNCIAS

AZEVEDO, Gislane Campos; SERIACOPI, Reinaldo. Projeto Teláris: história 6° ano. São Paulo: Ática, 1º ed., 2012.

 CAPELLARI, Marcos Alexandre; NOGUEIRA, Fausto Henrique Gomes. História: ser protagonista - Volume único. Ensino Médio. 1ª Ed. São Paulo: SM. 2010.

COTRIM, Gilberto. História Global – Brasil e Geral. Volume Único. Ensino Médio. 8ª Ed. São Paulo: Saraiva 2005.

Projeto Araribá: História – 6º ano. /Obra coletiva/ São Paulo: Editora Moderna, 2010. Editora Responsável: Maria Raquel Apolinário Melani.

Uno: Sistema de Ensino – História – 6º ano. São Paulo: Grupo Santillana, 2011. Editor Responsável: Angélica Pizzutto Pozzani.

Fonte: Histo é História.

O Show de Truman/ O Show da Vida: Comparações entre o mundo "real" e "virtual".

Texto retirado do Blog "A Casa de Vidro" que enfatiza os "reality shows", fenômenos da cultura de massa contemporânea, e podemos também colocar as redes sociais nesse circulo. Baseado no filme "O Show de Truman" (Truman traduzido literalmente como "o homem de verdade") essa obra-prima do diretor australiano Peter Weir (o mesmo de Sociedade dos Poetas Mortos) tem que ser entendida e interpretada para o momento "virtual" em que vivemos nesse dias atuais...

Texto escrito por Eduardo Carli de Moraes.






A Caverna de Platão, reinventada na era hi-tech da indústria cultural: eis o que The Truman Show concretiza frente a nossos olhos. A febre televisiva dos reality shows – fenômeno da cultura de massa que se tornou uma epidemia com a proliferação de Big Brothers e similares – é o tema do filme de 1998 realizado pelo cineastra australiano Peter Weir (o mesmo de Sociedade dos Poetas Mortos).

A ironia começa no título: The Truman Show seria mais apropriadamente traduzido como “O Show do Homem de Verdade”, o espetáculo “honesto” do true man. Só que o programa de TV em questão exorbita em falsidade, artificialidade, sendo claramente percebido pelo espectador como um mundo fake, como uma pseudo-realidade. Estamos diante de alguém que parece-nos preso numa cidade-de-brinquedo, numa vila artificial como estas que se fabrica nos jogos à la Simcity.


Neste Simcity-real que é Hollywood, por exemplo, edificam-se cidades cenográficas inteiras, fabricam-se pirotecnias e efeitos especiais mil, para poder criar um produto midiático cuja conexão com a realidade muitas vezes se perdeu tão amplamente que vemos diante dos olhos um carrossel de mentiras filmadas. Com o terreno todo minado pelas iscas do merchandising.


O personagem interpretado por Jim Carrey é o prisioneiro de uma Caverna similar àquela descrita por Platão em seu diálogo A República, só que agora numa versão atualizada para a era digital e cibernética. Assim como na Caverna estavam acorrentados os prisioneiros, que nada viam além das imagens fantasmáticas projetadas na parede de seu cárcere, Truman é o prisioneiro de uma ilha, gerida pela indústria do entretenimento, onde ele é tratado sempre, desde o princípio de seus dias, como uma marionete, um títere a ser manipulado, um peão a mexer no tabuleiro de xadrez do Espetáculo, sempre com o fim de maximizar os Ibopes e os lucros…

Todas as táticas astuciosas do merchandising estão sendo ironicamente criticadas pelo filme: Truman é muitas vezes coagido, pelas pessoas com quem “convive” na cidade cenográfica de que é um prisioneiro iludido, a postar-se diante dos anúncios publicitários. Empurram Truman para um cenário urbano onde, no segundo plano, vê-se um outdoor seduzindo para as delícias de um frango frito vendido nas junkfoodarias ao estilo McDonald’s e KFC. Enquanto joga golfe no asfalto, com seu falso amigo (na verdade um ator…), Truman é interpelado pela ideologia subliminar do consumismo: olhando para as câmeras com o rosto de quem está deliciosamente embriagado, mostrando claramente para a lente a marca da cerveja, o “amigo” obriga Truman a ouvir repetidas vezes: “Meu caro, não há cerveja mais deliciosa do que esta!” (Na real, o interlocutor não é Truman, de verdade, mas o imenso público de telespectadores que precisam ser convencidos a comprar o produto da marca Y…).

De modo similar, sua esposa está frequentemente conversando com Truman ao modo de um anúncio ambulante de gadgets à disposição no supermercado: reclama com o maridão que a grama está muito mal cortada, para em seguida recomendar que cumpre comprar  uma máquina nova, melhor, mais charmosa, à venda no WalMart, em promoção imperdível, proclamada nos slogans como revolucionária invenção da maravilhosa e humanitária empresa X…

A mesma “estrutura narrativa” do mito da Caverna platônico também é utilizada no filme de Weir, que descreve como Truman de certo modo vai buscando libertar-se de sua prisão, passando a questionar a veracidade do mundo que rodeia seus sentidos. A descoberta de sua condição de escravo manipulado pela indústria do entretenimento é o que constitui a verdade aventura do filme. Truman vai “despertando” para sua real condição: a de alguém que foi desde o princípio ludibriado.

Quando começa a descobrir-se como alguém que foi enganado, alguém que foi encerrado na prisão – literal e mental – de uma Caverna que Marx & Engels analisarão sob o conceito de ideologia. Truman é prisioneiro da caverna ideológica no sentido de que foi. por 10.000 dias. o funcionário exemplar da maquinaria do Espetáculo, trabalhando sorridente para o lucro e o deleite dos empresários midiáticos, que enriqueciam suas contas bancárias com a venda de mercadorias nos tele-mercados altamente capitalizados.



O filme, porém, descreve uma crise, que se passa aproximadamente no dia 10.000 do programa (uma longevidade impressionante, mas que não é inteiramente irrealista: vejam quanto tempo de duração no ar tiveram shows televisivos como Seinfeld, Friends, Chaves, Trapalhões, Jô Soares  etc.). Todo o cenário destinado a ludibriar Truman começa a desabar como um castelo de cartas na ventania. O prisioneiro começa a se debater contra aquilo que o acorrenta à Caverna, aquilo que o prende a esta ilha de enganações impostas por autoridades invisíveis.

Truman, se um dia pôde engolir direitinho a lorota ideológica, que lhe inculcou o pensamento de que ele vivia num dos lugares mais maravilhosos da terra, a ilha de Seahaven, no decorrer do filme vai rebelando-se contra a cidade. Vai tornando-se, de cidadão respeitador da lei e da ordem, em anárquico subversor de limites e regras.

Além do mais, se Truman pode escapar às teias totalitárias do sistema que o rodeia com suas câmeras de onivigilância, é também porque seu mundo subjetivo não é totalmente domável pelo poder. Não se controla tão facilmente a “vida afetiva” de um ser humano como se faz com um robô programado a responder aos comandos de um controle remoto. Vejam, por exemplo, esta “cena” chave do quebra-cabeças: para os empresários de TV, foi apenas uma bela cena, um ótimo produto da teledramaturgia, quando Truman, em sua infância, velejando no mar com seu pai, enfrentou uma tempestade (artificalmente induzida, é claro!), e na qual seu pai supostamente morreu afogado e foi sepultado no chão do oceano, para nunca ter seu cadáver encontrado. Pode-se imaginar os magnatas da mídia celebrando os milhões de dólares provindos dos picos de audiência. Para Truman, porém, aquilo não é “cena”, é vivência; e torna-se, é evidente, um trauma.



Cedo no filme nos damos conta do caráter neurótico de Truman, que cedo se manifesta no seu sintoma da fobia à água. Em seu trabalho, mandam-lhe realizar um serviço em outra ilha, que exige uma viagem de balsa (ferryboat), mas Truman, ao encaminhar-se ao barco, é acossado e possuído pelo trauma, pelo retorno da experiência antiga e amarga. Sua fobia o impede de seguir viagem. A fobia de Truman é o que prende-o a Seahaven e o que, no filme, ele terá o empenho heróico de superar.

 A neurose que lhe restou como legado de suas vivências como prisioneiro da indústria cultural de espetáculos lucrativos é também a raiz de sua insatisfação existencial, inseparável esta de sua rebeldia. A tensão dramática impressionante do filme tem a ver com o conflito interior que toma conta do personagem enquanto ele vê digladiarem-se, em seu peito, o “conservadorismo”/conformismo daquele que adapta-se e não questiona, de um lado, e o ímpeto de rasgar o véu de Maya e saber de fato o que está ocorrendo, de outro.

Se, por um lado, o peso do passado lhe legou o imobilismo e a fobia, ou seja, a incapacidade psicológica e física de escapar pelo mar, por outro lado Seahaven vai tornando-se tão mais insuportável quanto mais Truman vai desvelando sua verdadeira natureza: a de uma prisão. Da prisão da ideologia só podemos nos libertar quando tivermos plena consciência de sermos prisioneiros! Rosa Luxemburgo dizia que “quem não se move não sente as correntes que o prendem”. Truman, conforme o filme progride, sente cada vez melhor as correntes que o prendem, e esta consciência da servidão, a insatisfação diante desta condição servil, são aquilo que dá força à seu ímpeto rebelde, disruptivo.

Não sei se concordam comigo, mas para o meu gosto o filme fica bom mesmo quando Truman vai virando a ovelha negra, o caso-de-polícia, o perigoso subversivo. Pois o filme versa também sobre o fracasso, em última instância, do poder controlador e manipulador que procura seu domínio através da vigilância e do policiamento mais invasivos. Temos no filme Truman Show, pois, uma prefiguração de toda a temática que veio à tona com as revelações de Edward Snowden e as práticas cotidianas, nos EUA, da NSA (National Surveillance Agency). Certas forças políticas acabaram por acreditar que 1984, o clássico romance-denúncia de George Orwell, era um manual de instruções (!), ao invés de uma contundente porrada dada nos totalitarismos de ambições dominadoras.

A Sociedade do Espetáculo revelou-se como a era dos control freaks, com a proliferação de um complexo industrial carcerário e policial que atinge, em especial nos EUA (mas também no Brasil, na Rússia, na China e em tantas outras regiões) a dimensão de uma epidemia bastante triste onde o aprisionamento em massa, para punir os pobres, encontra-se articulado com uma indústria cultural destinada a perpetuar ideologias de sistemas econômicos e políticos que são justamente os responsáveis pelo militarismo, pelo belicismo, pelo frenesi carcerário.  Truman é “prisioneiro de luxo”, é claro, e sua condição nem de perto lembra a condição execrável em que são condenados a viver os “condenados” pela Justiça, lançados ao sistema carcerário hoje dominante…

A teia de mentiras, tecida ao redor de Truman, começa a colapsar quando ele revê seu pai, que ele pensava morto, reaparecer em cena como um mendigo. Para economizar uns trocados, a empresa de TV provavelmente resolveu utilizar o mesmo ator para personagens diferentes, o que é o estopim para a onda de ceticismo que toma conta de Truman. Desconfiando ele desperta. É duvidando da veracidade do sistema à sua volta que ele começa, mexendo-se, a sentir as correntes que o prendem. Sua insurgência, é claro, nasce de modo instintivo e um tanto caótico.

Como um bicho feroz numa jaula pequena, começa a sonhar em ir para a ilha de Fiji – que é exatamente do outro lado do mundo, o lugar mais longínquo que existe para ele. Que Truman queira vazar para o mais longe possível de Seahaven é um sinal de sua insatisfação com sua condição. O filme de Peter Weir vai convertendo-se aos poucos em um jailbreak, uma aventura de fuga-da-prisão, mas bem mais alegórica do que os enredos realistas de filmes como Fuga de Alcatraz, Papillon, Um Sonho de Liberdade.

 O sistema organizou-se ao seu redor no sentido de amedrontá-lo diante da perspectiva de viajar, de partir. Ele tenta comprar uma passagem de avião para Fiji, mas é óbvio que não conseguirá do sistema tão fácil o seu tíquete de fuga. Tudo fazem os “donos do jogo” para dissuadir Truman de escapar de sua jaula dourada. Como uma mosca aprisionada na teia do poder, Truman tenta escapar dos controles, mas tem a experiência reiterada de que o poderio dessa entidade controladora é muito extenso. Com seus tentáculos, que parecem estar em toda parte, o grande polvo do “poder” tenta impedir todas as rotas de fuga de Truman. Suas tentativas de escapar devem apenas gerar boas cenas de ação, aumentos nos picos de audiência, mas devem mantê-lo preso ao labirinto, como um rato de laboratório.



Com o carro, Truman tenta se dirigir a Atlantic City, depois a New Orleans, mas o polvo do poder não cessa de interpor obstáculos em seu caminho, fabricando trânsito congestionado, botando fogo em estradas ou simulando uma contaminação radioativa que impede o tráfego na via. É como se uma divindade transcendente se manifestasse em atos ao redor de Truman. Mas não se trata de um deus, mas sim do personagem de Ed Harris, o “coordenador” daquela peça complexa de teledramaturgia…

O Ed Harris encarna a figura do manipulador-mor, do mestre-de-títeres; para ele, Truman, apesar de um homem de carne-e-osso, é tratado como marionete, como boneco. Provocar emoções intensas em sua cobaia, o Truman que é seu rato-de-laboratório-midiático, é a função desta figura cheia de poderio. Ele “orquestra” não apenas um programa de TV, mas todo um sistema de doutrinação social, toda uma máquina difusora de ideologia.

Um exemplo muito concreto: o Titereiro Christof (Ed Harris) conduz sua cobaia (O Truman, Jim Carey) de experiência traumática (a suposta morte do pai) a re-encontro triunfal – e o Ibope bomba! Truman descobre que seu pai não morreu de fato naquela noite fatídica, mas que sobreviveu e re-aparece agora em cena, em boa hora, para fornecer à telenovela a possibilidade de um lucrativo melodrama sobre a reunião de pai e filho. “Grande show!”, comemoram os produtores do Truman Show, quando o títere de carne-e-osso Truman abraça-se com seu pai, como se estivesse aplaudindo a transcendência divina que intercedeu a seu favor.

Truman é sobretudo um Frankenstein da indústria cultural globalizada, uma criatura disfuncional e estranha do sistema que o incubou. A ideia era realizar um reality show realmente global – 1.7 bilhões de pessoas assistem pela TV ao nascimento de Truman; 220 países estão ligados em suas aventuras e desventuras… – mas que acaba revelando a própria máquina de produzir psicose que é todo esse o sistema Capitalista-Espetacular.

As câmeras escondidas (um enxame delas!) vigia e transmite a vida de Truman sem parar – ele está sempre no ar… –   e isso lhe dá a impressão alucinante de que o mundo gira ao seu redor. A psicopatologia de Truman é pior que um narcisismo, que um antropocentrismo patológico, é uma espécie de egocentrismo com elefantíase. E difícil é decidir qual dos dois tem o ego mais elefântico, se Truman ou se Cristof. Na verdade, no filme Cristof é quem “brinca de Deus”, realmente; Truman é sua vítima, seu títere, seu Frankenstein. A noção de divindade se aplica aqui porque a Truman, os poderes de Cristof parecem de fato como emanados de um “poder superior”: aquele poder, que na realidade concreta mantêm Truman num cárcere, num imenso bunker de metal, situado em Hollywood, California.

Truman não tem idéia e não toma consciência com facilidade do fato de que ele não está em “Seahaven”, a ilha, porra nenhuma; ele está aprisionado dentro de um artifício, dentro de um bunker que foi isolado do real. Não é permitido a Truman que saiba de sua condição de cidadão de Hollywood – ele tem que prosseguir cego, preso à lorota de que ele de fato vive numa inventada terra de ficção, uma fantasia armada em concreto.

A questão que fica é: caso tiremos Truman desta sua prisão-bolha, deste seu bunker de artificialidade, o que ele faria depois de viver um tempo “no real”? Talvez sentisse uma saudade imensa de sua Ítaca, a Seahaven onde “tudo gira ao seu redor”. O narcisismo de Truman é um construto da condição social em que se encontra, na posição de uma espécie de escravo da indústria cultural. Cristof, o pequeno deus deste micromundo onivigiado e onicontrolador, o tirano-mor deste totalitarismo em microcosmo, é o megalômano dos megalômanos. No filme, Cristof é figura meio Prometeica, que quer rivalizar com o poder de deus, e que por isso acaba tratando outro ser-humano como coisa – peão de xadrez, marionete de um teatro de Ibopes…

Para Truman, existe também um “Dark Side Of The Moon”, um lado escuro da Lua, e é literalmente o fato de que a Lua em seu céu é uma fake-Moon, uma construção humana, e nela escondido está o “olho” do Poder, o Panopticon da trupe de Cristof, essa figura que é celebrada na TV como um “televisionary”. Ou seja, o “televisionário”, o visionário da mídia, soube criar toda uma teia de artificialidade dentro do qual manipula sua cobaias humanas, instigando-os às situações e aos afetos que dão boa audiência e aumentam a venda de mercadorias… O importante é que o Truman Show continue “vendendo”, e pra isso a cobaia-Truman deve levada a extremos, mesmo que isso destrave comportamentos excêntricos e imprevisíveis.

No fim das contas, Cristof vende seu supostamente “revolucionário” produto-midiático como uma grande inovação pois é um show sem script pré-definido, um show que vai se escrevendo conforme acompanha a “aventura de formação” de seu protagonista entre o berço e o seu 10.000 dia… A crise destravada neste limite transposto do 10.000 dias tem a ver com uma série de irrupções de estranhezas no cotidiano de Truman, a começar por aquele cena, bem no inicío, quando um holofote de luz despenca do céu como se fosse uma estrela cadente e espatifa-se no asfalto, para assombro de Truman, que não sabia que holofotes podiam chover das nuvens… Que estranho mundo, digno da imaginação de um Lewis Carroll, o cinema de Peter Weir soube realizar com este neo-clássico do sci-fi!

A crise de Truman impulsiona-o ao jailbreak, o que faz com que ele escape, pela primeira vez, ao radar do poder, furtando-se aos tentáculos do polvo onipresente. Cristof, quando seu Frankeintein desaparece, como se escapulisse de sua coleira, brinca de deus em modo hard e apela pesado: ordena que, no meio da madrugada, faça-se nascer um sol… C0m a luz do sol artificial, chamado a raiar antes da hora pelo teledramaturgo em seu jogo de “Master of Puppets”, Christof manifesta-se enfim com a arbitrariedade que se espera de uma boa divindade. Chuta o pau da barroaca e ousa penetrar na “normalidade instituída” do “cosmos” de Truman e subverter as regras do jogo. Truman, diante disso, pensará estar diante de um milagre? Ou já raiará nele a noção de estar preso dentro de um grande estúdio, dum pequeno theathrum mundi, onde a Verdade lhe foi vedade?

Quando Truman tenta escapar das garras deste mundo imundo e seu deus arbitrário e onicontrolador, Chrisof se irrita e sua psicose se manifesta. Truman é, para Cristof, uma espécie de posse, de propriedade, que ele não tolera perder. Truman tenta navegar para longe de seu cárcere, mas seu carcereiro Cristof destrava os temporais relampejantes, ainda que sob ameaça de virar seu barco e lançá-lo a uma possível morte por afogamento. Ao vivo, um magnata da mídia pratica uma tentativa de homicídio, ao vivo e a cores, justificando-se assim: “Truman nasceu diante das câmeras, por que não poderia morrer diante dela?”

Truman embarca em sentido inverso ao de Ulisses na Odisséia: este queria sair das tormentas do mar para retornar ao lar e à sua Penélope em Ítaca. Já Truman quer deixar o porto seguro de Seahaven para enfrentar as tormentas que o enviem ao coração do desconhecido, ao cerne da descoberta. É aí que Truman realmente vira herói de um filme quase contracultural: quando escolhe encarar o risco e tentar sua fuga, custe o que custar. Ele quer intensamente libertar-se de seu “deus” perseguidor, sempre vigilante, sempre interventor.

Seu último ato, que põe um the end no programa de TV mais longevo e mais lucrativo da história da teledramaturgia (isso no mundo fictício tão bem bolado pelo roteiro de Andrew Nicol), sugere a escolha de Truman por um “salto no escuro”: ele prefere a independência à escravidão, o controlar-se como ser autônomo ao invés de prosseguir marionete de um Master of Puppets. Para relembrar uma imagem icônica da chamada Geração X, ainda carecemos do aprendizado necessário para, ao invés de ficar nadando atrás da isca do dólar, como o bebê na capa do Nevermind, nadarmos em direção à saída do aquário onde estamos encerrados…

Batendo de frente com a parede onde o céu estava pintado – aquele céu, que visto de longe, lá das margens de Seaheaven, parecia de fato um real horizonte sem fim! –  Truman chega ao estopim final da crise revolucionária que o transformou e transtornou. Ele bate de frente com o horizonte limitado, com as barras de ferro de sua jaula, que ele confundia com o céu aberto.

Custe o que custar, a verdade ele quer degustar. Truman abre a porta e deixa o recinto, abandona a farsa, vaza da Caverna, põe um ponto final à manipulação sem fim. O que ocorre depois o filme deixa no escuro. Quem ficou aguardando uma continuação, esperou em vão. É bom que seja assim: é deixada à imaginação do espectador o que ocorre com Truman no “mundo real”, onde ele sem dúvida fará muitas desagradáveis descobertas

A vida do prisioneiro após sair de sua platônica Caverna, ou melhor, como é estar com a consciência desperta após livrar-se das correntes e miragens ideológicas, tudo isso, que Peter Weir relega ao escuro que segue o “The End”, está aí para cada um descobrir – basta, para isso, mover-se para sentir as correntes que nos prendem, e em seguida cortá-las, para viver na pele o que é, após ter sido condenado a estar preso, imitando estereótipos, descobrir como é estar condenado a ser livre, forjador autônomo de percurso próprio…



domingo, 4 de outubro de 2015

Anacronismo o que é?


O anacronismo consiste em utilizar os conceitos e ideias de uma época para analisar os fatos de outro tempo. Ele deve ser evitado em qualquer pesquisa.

O anacronismo ou anticronismo consiste basicamente em utilizar os conceitos e idéias de uma época para analisar os fatos de outro tempo. Em outras palavras, o anacronismo é uma forma equivocada onde tentamos avaliar um determinado tempo histórico à luz de valores que não pertencem a esse mesmo tempo histórico. Por mais que isso pareça um erro banal ou facilmente perceptível, devemos estar atentos sobre como o anacronismo interfere no nosso estudo da História.

Por um lado, os historiadores, no desafio diário de suas pesquisas, tentam sempre escapar do problema do anacronismo. Esse seria um “erro mortal” a ser evitado em toda e qualquer pesquisa séria e bem executada. Ao contrário do que possa parecer, esse problema não só atinge os profissionais da História, mas também é encontrado no dia a dia das salas de aula. De forma geral, muitos alunos costumam tecer comentários sobre o passado com base nos seus próprios valores.

É comum vermos os alunos reclamarem sobre como os portugueses conseguiam, mesmo sendo minoria, dominarem a imensa população de escravos do Brasil. Outros se questionam sobre como a Igreja tinha tanto poder durante a Idade Média. Ao estudarem a democracia em Atenas, não acreditam como os atenienses reconheciam como democrático um regime que excluía as mulheres e estrangeiros das questões políticas.

Ao fazerem esse tipo de crítica não percebem que os conceitos de igualdade, razão e democracia por eles utilizados foram concebidos tempos depois das experiências aqui exemplificadas. Desse modo, desconsideram as idéias e conceitos que deveras poderiam justificar os hábitos no Brasil Colônia, na Idade Média ou na Antiguidade Clássica. Ao mesmo tempo, não levam em conta que o homem interpreta o passado e dessa maneira acaba criando uma nova compreensão do mesmo.

Um dos mais amplos exemplos desse tipo de prática é percebido no século XVIII, no auge do pensamento iluminista. Elegendo a razão como a melhor das ferramentas do intelecto humano, os iluministas consideravam a religiosidade como um grande entrave ao conhecimento e o saber. Dessa maneira, interpretava-se a Idade Média como a “idade das trevas”, onde a crença e a religiosidade obscureciam a visão do homem.

No entanto, ao desmerecerem o passado medieval, os iluministas ignoravam toda a contribuição dos filósofos medievais e o fato de que as primeiras universidades da Europa surgem nessa mesma ”idade das trevas”. Nessa perspectiva, podemos considerar também que o iluminismo, na ânsia de seu racionalismo, deixava de olhar de forma mais compreensiva para as características próprias da Idade Medieval.

Detectando essa falha interpretativa poderíamos concluir que o anacronismo deve ser complemente banido da História. No entanto, seria impossível então olhar o passado com os valores do nosso presente? Provavelmente não. Se por um lado não podemos cometer o erro do anacronismo, também nunca conseguiríamos saber literalmente como pensavam os indivíduos de uma determinada época. Dessa forma, como evitar o anacronismo?

O anacronismo não pode ser considerado um “fantasma” que persegue estudantes e historiadores. Antes disso, devemos colocar os valores do nosso tempo como um ponto de referência pelo qual poderíamos entender melhor o passado. Comparando as diferenças entre os conceitos de dois tempos históricos diferentes, podemos estabelecer o diálogo das nossas expectativas para com o passado sem desconsiderar os valores do mesmo. Assim, o anacronismo deixa de ser uma armadilha e transforma-se em uma importante ferramenta para a compreensão histórica.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Brasil Escola