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domingo, 4 de outubro de 2015

Anacronismo o que é?


O anacronismo consiste em utilizar os conceitos e ideias de uma época para analisar os fatos de outro tempo. Ele deve ser evitado em qualquer pesquisa.

O anacronismo ou anticronismo consiste basicamente em utilizar os conceitos e idéias de uma época para analisar os fatos de outro tempo. Em outras palavras, o anacronismo é uma forma equivocada onde tentamos avaliar um determinado tempo histórico à luz de valores que não pertencem a esse mesmo tempo histórico. Por mais que isso pareça um erro banal ou facilmente perceptível, devemos estar atentos sobre como o anacronismo interfere no nosso estudo da História.

Por um lado, os historiadores, no desafio diário de suas pesquisas, tentam sempre escapar do problema do anacronismo. Esse seria um “erro mortal” a ser evitado em toda e qualquer pesquisa séria e bem executada. Ao contrário do que possa parecer, esse problema não só atinge os profissionais da História, mas também é encontrado no dia a dia das salas de aula. De forma geral, muitos alunos costumam tecer comentários sobre o passado com base nos seus próprios valores.

É comum vermos os alunos reclamarem sobre como os portugueses conseguiam, mesmo sendo minoria, dominarem a imensa população de escravos do Brasil. Outros se questionam sobre como a Igreja tinha tanto poder durante a Idade Média. Ao estudarem a democracia em Atenas, não acreditam como os atenienses reconheciam como democrático um regime que excluía as mulheres e estrangeiros das questões políticas.

Ao fazerem esse tipo de crítica não percebem que os conceitos de igualdade, razão e democracia por eles utilizados foram concebidos tempos depois das experiências aqui exemplificadas. Desse modo, desconsideram as idéias e conceitos que deveras poderiam justificar os hábitos no Brasil Colônia, na Idade Média ou na Antiguidade Clássica. Ao mesmo tempo, não levam em conta que o homem interpreta o passado e dessa maneira acaba criando uma nova compreensão do mesmo.

Um dos mais amplos exemplos desse tipo de prática é percebido no século XVIII, no auge do pensamento iluminista. Elegendo a razão como a melhor das ferramentas do intelecto humano, os iluministas consideravam a religiosidade como um grande entrave ao conhecimento e o saber. Dessa maneira, interpretava-se a Idade Média como a “idade das trevas”, onde a crença e a religiosidade obscureciam a visão do homem.

No entanto, ao desmerecerem o passado medieval, os iluministas ignoravam toda a contribuição dos filósofos medievais e o fato de que as primeiras universidades da Europa surgem nessa mesma ”idade das trevas”. Nessa perspectiva, podemos considerar também que o iluminismo, na ânsia de seu racionalismo, deixava de olhar de forma mais compreensiva para as características próprias da Idade Medieval.

Detectando essa falha interpretativa poderíamos concluir que o anacronismo deve ser complemente banido da História. No entanto, seria impossível então olhar o passado com os valores do nosso presente? Provavelmente não. Se por um lado não podemos cometer o erro do anacronismo, também nunca conseguiríamos saber literalmente como pensavam os indivíduos de uma determinada época. Dessa forma, como evitar o anacronismo?

O anacronismo não pode ser considerado um “fantasma” que persegue estudantes e historiadores. Antes disso, devemos colocar os valores do nosso tempo como um ponto de referência pelo qual poderíamos entender melhor o passado. Comparando as diferenças entre os conceitos de dois tempos históricos diferentes, podemos estabelecer o diálogo das nossas expectativas para com o passado sem desconsiderar os valores do mesmo. Assim, o anacronismo deixa de ser uma armadilha e transforma-se em uma importante ferramenta para a compreensão histórica.

Por Rainer Sousa
Graduado em História
Equipe Brasil Escola


História - Brasil Escola

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Jogos Históricos #1: A Série TOTAL WAR



"Total War" é uma série de jogos com o gênero de estratégia virtual, ação e aventura. Todos os 8 games da franquia foram desenvolvidos pela "The Creative Assembly", sendo publicados primeiramente pela "Eletronic Arts", depois com dois jogos seguintes pela "Activision", passando a bola ainda hoje para a "Sega". A série iniciou seus trabalhos em 2000 e continua na ativa até hoje.

A franquia inteira é focada em diversos períodos da história da humanidade. Sendo assim, o que podemos ver nos games, sendo eles de um gênero de estratégia, são curtas computações gráficas que aparecem na 'intro' e mais algumas outras partes durante a jogatina, seguindo ou não a verdadeira situação histórica ocorrida, dependendo do seu modo de jogo. Ou seja, isso não tira o valor da série nesse ponto, até porque a grande maioria dos jogos do gênero usam este mesmo estilo de 'gameplay'.

Assim como qualquer outra famosa franquia de games, que começou a estrear seus jogos já antigamente, nós nunca podemos comparar o fator dos gráficos dos títulos atuais da série aos antigos remanescentes. Queremos que isso sempre fique claro para todos. Pois bem, "Total War" tem concorrentes de peso na disputa estratégica, dentre eles "Sim City" e o glorioso "Civilization". Mesmo assim, ao menos na característica gráfica, "Total War" ganhava dos seus vizinhos.

A série, assim como as outras citadas, prefere não encher a jogatina com várias 'cutscenes', e isso pode agradar alguns como pode afastar outros. De qualquer modo, não podemos negar, as poucas computações gráficas que a série sempre mostra em seus jogos são lindíssimas. Mas saindo delas, ainda vemos imensa qualidade nas ambientações do mapa de campanha, e claro, nas batalhas que entramos a todo momento.

Sem dúvida a característica alternativa mais admirável e revolucionária dos games "Total War", são as jogabilidades dos títulos. Obviamente, a cada ano os produtores melhoram mais e mais a qualidade nesse aspecto. Porém, falando sobre isso, o que logo vem a cabeça sobre a série seria as batalhas, e não podemos pensar diferente. Mas, como essa característica é tão única na série, resolvemos falar sobre ela separadamente na análise, ou seja, aguardem mais a frente.

Nesse ponto, podemos dizer que a série é dividida em duas diferentes categorias: estratégia por turnos, que estão presentes na campanha, e batalhas em tempo real, que também fazem parte da campanha pessoal de cada jogador, mas novamente podem ser jogadas pelo modo de "Batalhas Históricas". Todos os fatores comentados nesse parágrafo, serão melhor aperfeiçoados a frente na análise.

Campanha Viciante:


As "batalhas", tanto em terra, quanto navais, são realmente o auge de entretenimento e exclusividade da série, mas isso não quer dizer que a campanha básica dos jogos não seja divertida. Muito ao contrário, o sistema de estratégia por turnos é divertido, onde não só devemos determinar a posição dos nossos exércitos, mas também administrar as nossas cidades, controlando o nível de ordem populacional e entrada de alimentos que entra e saí, tudo isso para não criar um caos para as suas províncias.

O que talvez poderia ser melhorado nesse aspecto, seria a lentidão no qual ele acontece. Todas as ações que você efetua demoram rodadas e mais rodadas até ficarem prontas, do jeito que você quer. Apesar disso, a campanha em turnos ainda continua sendo muito divertida e viciante.

Ambientações Incríveis:


Se no fator de gráficos, os jogos "Total War" ganham de seus concorrentes, é basicamente óbvio que as ambientações não são diferentes. No mapa de campanha, onde controlamos a representação dos nossos exércitos e desenvolvemos as nossas cidades, os cenários não são como foco, estão ali funcionando como um GPS. Aonde realmente nôs sentimos em casa, é novamente nos momentos das batalhas em tempo real.

O interessante é que, um pouco antes da tela de carregamento acabar, você não sabe que cenário estará a sua frente. Você não sabe se a cidade que está sendo invadida possuí um grande ou pequeno espaço determinante. E caí entre nós, isso é muito legal. Os cenários envolventes das batalhas são os mais espetaculares hoje em dia, e com "Rome II", conseguimos ver, com a força de um bom PC, o quão bem trabalhado são essas ambientações, desde árvores no meio de diversos campos, até o excelente trabalho das texturas das águas, vistas lindamente com as batalhas navais.

Shogun - o Marco Revolucionário:




 "Shogun: Total War", para quem não sabe, foi o primeiro game da série a ser lançado, no de 2000. O jogo tinha como palco o Japão Feudal do século XV, e suas batalhas eram focadas em espadas e guerras japonesas por territórios.

Podemos considerar, que foi sim com "Shogun", que a característica revolucionária de batalhas em tempo real, teve o seu maior destaque. Na época de lançamento, esse fator que o game apresentava era impressionante, mesmo hoje em dia sendo algo já tão ultrapassado, ao menos, falando graficamente. Com uma jogabilidade excelente para a época e gráficos realmente bons, "Shogun" ainda continua sendo um dos títulos preferidos dos fãs.

Medieval - A Sequência Bem Sucedida:


O segundo capítulo da franquia causava medo aos fãs do excelente primeiro jogo, aquela sensação de preocupação envolvendo sequências. Mas, para a nossa sorte, não tínhamos com que nôs preocupar. Assim como o título deixa claro, o novo capítulo da franquia se passava no período medieval, favorito por muitos fãs do gênero. A estratégia foi muito inteligente da empresa, que se provava que gostava de alterar seus palcos a cada jogo lançado.

Em relação a qualidade de jogo, o período histórico foi novamente bem retratado, sendo as batalhas com espadas, machados, e etc... A jogabilidade do game estava bem parecida com a do título anterior, mas isso não desfez o bom trabalho. Os gráficos talvez eram o maior salto se comparado a "Shogun". Aqui eles estavam mais bonitos e as modelagens do cenário estavam mais atuais. Ou seja, "Medieval" vinha com a mesma fórmula do primeiro grande sucesso, o que resultou em mais um número grande de novos fãs. 

Rome - Agradou à Maioria:


Após o sucesso espantoso dos dois primeiros games de uma nova série de estratégia, era basicamente óbvio que mais um título sairia para os PC's. Com isso veio "Rome: Total War". O terceiro capítulo da franquia, por total ironia, acabou sendo o mais bem sucedido na crítica, até mesmo hoje em dia. Claro que os fãs da série se deram por mais que satisfeitos com o resultado final. O jogo tinha como palco agora a República Romana, misturada com uma boa dose Grega.

"Rome" trazia um cenário cativante, novamente sendo original. Agora tanto a jogabilidade, quanto os gráficos, haviam melhorado mais que graduadamente, como no game anterior. O 'gameplay' estava mais flexível e ágil de ser usar, e por sua vez, os gráficos eram os mais lindos da série, obviamente, até aquele momento. Um excelente capítulo na franquia. 

Empire - Mudança Completa de Cenário:


"Empire: Total War" foi, sem dúvida, o game que provou que a série realmente não tinha barreiras para retratar os seus cenários históricos. Isso foi visto graças ao fato de Empire, novamente como o próprio nome diz, se passasse anos a frente dos jogos antecessores. Aqui tínhamos o palco do século XVIII, perto da "Revolução Americana". Antes usávamos espadas, com cavalarias e tudo mais. Agora, até as batalhas mudaram de foco, com armas de fogo com grande destaque, lembrando assim, de qualquer maneira, "Company of Heroes". 

Apesar da originalidade ter decaído um pouco, graças ao fato do cenário histórico já existir em outra série do mesmo gênero, "Empire" continuava sendo incrível, assim como os jogos anteriores da série. A jogabilidade estava mais divertida e respondia mais facilmente e os gráficos novamente haviam sido os mais bonitos, até aquele momento. Um ótimo game!

Rome II - Um jogo VICIANTE:


O último capítulo da série até então é "Total War: Rome II". O game é uma sequência não direta do primeiro "Rome", lançado em 2004 e marcado como sucesso de crítica. Eu digo "não direta", pois simplesmente o cenário histórico que se repetiu, além dos objetivos serem os mesmos. Aqui voltávamos as espadas e cavalos, para entrar em uma das experiências mais viciantes que a série "Total War" conseguiu criar. Isso acontece pois, apesar de certos defeitos, "Rome II" possuí muitos pontos divertidos.

A jogabilidade e gráficos obviamente que nunca foram tão bem feitas, porém agora vieram muitos bugs, algo que não existia tão frequente nos jogos anteriores. Além disso, o jogo apresenta o maior tempo de 'loads' que eu pessoalmente já vi em um jogo. Ao término de cada sessão, vão-se lá no mínimo, 2 a 3 minutos de espera. Realmente irritante. Mas, apesar dessas característica nada agradáveis, "Rome II" fez jus ao universo "Total War", e é um dos games mais viciantes da atualidade. 


"Napoleon: Total War" 



O jogo foi lançado em 2010. Este é o sexto jogo da Série Total War. (Wikipédia - Napoleon: Total War) Enredo: O game se passa no período da "França Napoleônica", na qual controlamos os exércitos reais do próprio Napoleão Bonaparte. 

Confira um gameplay de Napoleão Total War:


Fonte: http://aplaceofgames.blogspot.com.br/

E aí já jogou algum dessa série de jogos? o que achou? deixe seu comentário!!!

sábado, 4 de julho de 2015

O que é estudar História? Por quê estudar História? Para quê estudar História?



Perguntas espontâneas que surgem tanto para quem se interessa pelo curso de História quanto para os que desejam saber as razões que levam alguém a estudar História. Estudar História não é um privilégio universitário. Mas é na universidade que esse estudo ganha sua forma organizada, sistemática. Estudar História é descobrir e apropriar-se do resultado da ação dos homens no tempo, que se transforma em realidade concreta individual e social. Essa realidade, para a História, forma o passado. Esse passado é experimentado – no presente – como algo a ser conhecido, entendido, explicado. Por quê? Para alcançar-se uma compreensão adequada do presente. Para quê? Para entender o conjunto da realidade social humana e projetar a ação presente e futura. Todo ser humano, de uma forma ou de outra, lida com o passado para situar-se em seu espaço de identidade e no mundo em que vive. O estudante que deseja obter um diploma universitário de História objetiva alcançar uma capacitação profissional que o habilita a investigar o passado de acordo com procedimentos metódicos, com o fito de elaborar narrativa que apreenda, descreva e explique – cientificamente – o passado que é patrimônio comum dele, de sua comunidade e da humanidade. O estudante interessado em torna-se um historiador deve estar consciente de que a História é um dos mais antigos saberes constituídos pela civilização. Com a Filosofia e a Literatura (poesia e teatro) a História está presente desde os primeiros momentos da nossa tradição ocidental. O esforço sistemático de compreensão racional do passado, resultando em uma obra escrita, remonta ao grego Heródoto, no século V a.C. No século XIX, com o desenvolvimento de vários instrumentos de pesquisa e de análise do documento, a História ganhou assumiu sua pretensão metódica de cientificidade. Ao buscar estabelecer os fatores explicativos confiáveis da ação humana no passado, a História ganhou reconhecimento entre as chamadas Ciências Humanas e Sociais. Hoje em dia, a construção do saber histórico tem consciência das variáveis de sua produção, de que dependem a verdade e a objetividade sociais a que se candidata. Assim, os historiadores hoje dedicam-se também às formas de apresentar o resultado de suas pesquisas não só na historiografia, isto é, nas narrativas historiográficas, mas igualmente no ensino e na formação dos novos historiadores. A História, por ser científica, dialoga com os demais campos do saber, como a Literatura, a Filosofia, a Política, a Antropologia, a Sociologia, o Direito, a Economia, pois o produto final do trabalho do historiador é um texto científico de múltiplas facetas, uma composição literária, em estilo que permita ser lido com prazer. Os futuros historiadores, portanto, devem buscar não só a competência em lidar com as fontes documentais e de outra natureza (visuais, plásticas, arquitetônicas, etc.), com a bibliografia acumulada ao longo das tradições e presente nas bibliotecas e arquivos, mas igualmente desenvolver a habilidade narrativa, com o ofício do escritor. Em particular desde o século XIX, a História desempenha um papel relevante na construção da identidade de várias nações. Assim como cada indivíduo tem uma memória pessoal, cada sociedade constrói uma memória coletiva, cada Estado promove uma “marca” própria. Certamente, os historiadores estão entre os principais artífices da memória coletiva, responsáveis não só pela constituição de um passado coletivo, nacional, como pela vigilância dos usos e abusos que deste passado possam vir a ser feitos. Há quem diga que, em função da contemporânea globalização, as histórias nacionais estão em baixa. Não é verdade. Hoje, ao mesmo tempo em que se assiste à mundialização econômica e cultural, verifica-se o recrudescimento das identidades, étnicas, religiosas e também nacionais. A História, contudo, tem dentro de si várias Histórias. Ela é plural tanto pela diversidade das perspectivas, a partir das quais é produzida, quanto pela riqueza dos temas que aborda. A História pode ser política, econômica, religiosa, das ideias, das mentalidades, dos costumes, da cultura, do cotidiano, das relações internacionais, das regiões, dos municípios, do mundo, antiga, medieval, moderna, contemporânea. Ela pode ser recortada em diversos ângulos e em diversos períodos. Sem embargo, em todas permanece a matéria-prima básica do historiador: o tempo e a ação humana nele. Os ritmos das ações humanas no tempo não são uniformes. Há um tempo longo, sedimentado, cuja transformação é lenta, como o da geografia ou das mentalidades. Pode-se falar também de tempos intermediários, como os dos ciclos econômicos, dos regimes políticos, das organizações sociais. Não se pode esquecer do tempo volátil, curto, o do quotidiano imediato, dos jornais, dos acontecimentos políticos. O historiador, no fundo, é um tecelão de temporalidades. O tecido final: a História, sobre cuja trama temporal se destaca o bordado no agir humano pensado e narrado pelo historiador.

Áreas de Atuação 


O profissional com formação em História encontra-se tradicionalmente ligado à área do magistério, podendo exercer essa atividade nas escolas de ensino fundamental e médio, no caso de ter alcançado a licenciatura na graduação, ou nos estabelecimentos de ensino superior, quando portador de diploma de pós-graduação. A experiência de pesquisa e a aptidão de realizá-la com qualidade e autonomia são requisitos para a atividade acadêmica em estabelecimentos de ensino superior. “... Ensinar História é ensinar a fazer História. É impossível ensinar História sem o domínio suficiente de como se dá a produção histórica. Ensinar não se perfaz com transmitir conhecimentos, muito menos informação. Nem é o professor mero revendedor de mercadoria disponível no estoque do curso, ou simples executante de um programa de distribuição (facilitada por técnicas didáticas) de noções consolidadas pelo uso. Ao contrário, a reconstrução do próprio processo de pesquisa deve participar, de uma forma ou outra, do processo pedagógico. Já se vê que esta perspectiva permite resolver também a falsa dicotomia de objetivos de um curso de História, indeciso entre a formação do pesquisador e do professor: as diferenças existem, é clero, mas são de grau, contexto e organização prática do trabalho, não de natureza.” Nos últimos tempos, entretanto, os historiadores têm encontrado formas novas de exercer suas competências. Além do ensino e da pesquisa universitária, importantes campos de atuação para o historiador são aqueles ligados aos mais variados tipos de informação: arquivos, museus, bibliotecas, administração pública, perícia técnica (demarcação de quilombos e áreas indígenas, por exemplo) etc. Nos últimos decênios, o campo da pesquisa tem aberto caminhos instigantes, um deles, a atuação em organizações (principalmente as não-governamentais - ONGs), interessadas em compreender fenômenos sociais atuais cuja perspectiva histórica esclarece nuanças que, de outra forma, permaneceriam imperceptíveis. Os historiadores são também requisitados para trabalhar como assessores políticos. A História é uma das formas em que as sociedades interrogam criticamente a si mesmas. Cada época faz a trajetória temporal dos homens as perguntas e solicitações que suas próprias realidades e necessidades sugerem. A busca de respostas às nossas inquietações, aos dilemas políticos e pedagógicos tem um alvo: a educação escolar. A escola, como lugar social, local de trabalho, espaço de conflitos, de formas culturais de resistência, exerce, um papel fundamental na formação da consciência histórica dos cidadãos. A História e o seu ensino são, fundamentalmente, formativos. Esta formação não se dá exclusivamente na educação escolar, mas é na escola que experienciamos as relações entre a formação, os saberes, as práticas, os discursos, os grupos e os trabalhos cotidianos. Os professores de História sujeitos do processo vivenciam uma situação extremamente complexa e ambígua: trata-se de uma disciplina que é ao mesmo tempo extremamente valorizada, estratégica para o poder e a sociedade e ao mesmo tempo desvalorizada pelos alunos e por diversos setores do aparato institucional e burocrática. É na instituição escolar que as relações entre os saberes docentes e os saberes dos alunos defrontam-se com as demandas da sociedade em relação à reprodução, transmissão e produção de saberes e valores históricos e culturais. Neste sentido, as práticas escolares exigem dos professores de História muito mais que o conhecimento específico da disciplina, adquirido na formação universitária. Ora, o que o professor de História ensina e deixa ensinar na sala de aula vai muito além da sua especialidade. Daí decorre, o que parece óbvio: a necessidade de articular diferentes saberes no processo de formação. No caso, do professor de História, as dimensões éticas e políticas da formação, são extremamente importantes, pois o objeto do ensino de História é constituído de tradições, ideias, símbolos e representações que dão sentido às diferentes experiências históricas vividas pelos homens nas diversas épocas. O profissional de História é aquele que, independentemente do fato de estar atuando neste ou naquele setor específico, deve estar capacitado a discernir criticamente entre as perguntas, as respostas, as modalidades diversas em que a disciplina que escolheu dialoga com o social de que emerge e que a sustenta (em todos os sentidos do verbo sustentar).

FONTE.: http://alexandrehistoria.blogspot.com.br/

quarta-feira, 28 de janeiro de 2015

Trabalho de Graduação sobre Cinema, História e Educação.



Esse é meu trabalho de graduação da conclusão em licenciatura em História quero divulgar para todos que tem interesse sobre o tema, se quiser utilizar gostaria que fizesse referencia fique a vontade para usar!



AS DIFERENTES FORMAS DE “OLHAR” A HISTÓRIA: A

IMPORTÂNCIA DO CINEMA NAS AULAS DE HISTÓRIA.




Tiago Colombelli
Prof. Orientador: Daniela Sema
Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI
História (HID0252) – Trabalho de Graduação
13/12/2014






  • RESUMO



Este trabalho consiste no estudo do que o cinema traz para as aulas de história, como utilizar este vasto material que é estudado por grandes historiadores como Marc Ferro, e como podemos colocar como recurso didático para o ensino de história. Além disso o cinema cria possibilidades de construção do conhecimento histórico escolar, pois o filme em sala de aula mobiliza operações mentais que conduzem o aluno a elaborar a consciência histórica, uma consciência humana relacionada imediatamente com a vida humana prática, e que constitui, em última instância, no objetivo maior do ensino de História.


Palavras-chave: Cinema. História. Educação.












  • INTRODUÇÃO




Com o surgimento do cinema no final do século XIX, especificamente inventado na frança em 1895 pelos irmãos Lumière, que criam o cinematógrafo, (que era uma câmera que filmava e projetava filmes), sendo utilizado como forma de entretenimento em um parque de diversão, as primeiras demonstrações de um filme de nome “O Trem chegando na Estação” como novidade nunca vista, deixava as plateias polvorosas, muitas pessoas saiam correndo da exibição, temendo que o trem os atropelasse, sendo criticado por ser uma tecnologia que não duraria muito tempo, pois nessa época a fotografia era um grande marco.

O primeiro uso do cinema como forma didática foi no período da Revolução Russa em meados do ano de 1917, por Leon Trotsky, que se referia ao cinema como um “suporte para a educação das massas” na verdade foi utilizada como propaganda para doutrinar o povo, que mais tarde foi utilizado pelos nazistas que viram um grande potencial propagandístico do cinema, (MOCELLIN, 2009).

No final da década de 50 e 60 já no pós-guerra a escola dos Annalles a partir da obra de Marc Bloch e Lucien Fèbve e da fundação da revista dos Annalles que seria Anais de História Econômica e Social, eles são os grandes responsáveis pelo desenvolvimento de uma nova produção historiográfica, no qual o historiador fabrica seu objeto e lê o sujeito na produção da História, no qual o historiador constrói e recorta seu objeto de estudo. A concepção de verdade absoluta e atemporal, do estudo de história, sofreu um abalo.

O historiador Marc Ferro foi um dos pioneiros que inaugurou o campo de estudos da relação entre cinema e história que mostra relações entre as produções cinematográficas e o estudo de história, foi quando o cinema realmente começou a virar uma arte ele foi usado para intervir na história, como ele diz: “Assim como toda a produção cultural, toda a ação política, toda indústria e todo filme tem uma história que é a História, com sua rede de relações pessoais, seus estatutos dos objetos e dos homens, onde privilégios pesados, hierarquias, honras, encontram-se regulamentos.”(FERRO, 1992).

A proposta do historiador francês é que o filme seja concebido como “um produto, uma imagem objeto” (FERRO, 1992), valendo-se do filme como testemunho. Portanto o filme ficcional que trata de tema histórico, segundo Ferro, diz mais da sociedade que o produziu, que o consumiu e das abordagens históricas autorizadas em um dado momento do que propriamente do período que quis mostrar.

Hoje o cinema é um mercado de grande potencial consumidor, que com o capitalismo do séc. XX, se estendeu no mundo todo atraindo multidões de pessoas e elevando gradativamente a renda, por inserirem novas tecnologias como o cinema 3D,.





  • CINEMA E EDUCAÇÃO





Na primeira metade do século XX, algumas escolas começaram a utilização de filmes como material didático, em 1938, Elizabeth Laine publicou um estudo sobre o ensino realizado em centros educacionais nos Estados Unidos, sobre a utilização de imagens e som na educação, a metodologia comum nesses estudos era a comparação, por meios de testes, com classes que ainda não houvessem utilizado essa forma de aprender. A diferença indicavam um aumento de retenção do aprendizado entre 20% e 27% , (MOCELIN,2009).

Isso chamou a atenção de uma indústria cinematográfica a Erpi Classroom Films Inc. , que foi a pioneira na produção de filmes didáticos, e patrocinou diversos estudos, com o intuito de demonstrar que o uso de imagens melhora o aprendizado em vários campos.

Renato Mocellin explica os cuidados que os professores têm que ter com o uso de filmes, de forma didática:





Longe de tratar o cinema apenas como a mais um recurso didático-pedagógico a escola precisa assimilar a ideia de que a educação e o cinema, são formas similares de socialização: são um paralelo entre as relações construídas por alunos e professores e as relações construídas entre espectadores e filmes. Nesse sentido o professor de História de certa forma concorre com aquilo que o aluno aprende no cinema e em outras mídias – inclusive TV e Internet que constituem um poderoso meio de influência.





A citação deixa bem claro o problema que o professor, e principalmente o professor de História enfrenta, de o que é uma criação cinematográfica fictícia e o estudo da História que como o cinema tem suas limitações.

Não podemos deixar de dizer que os filmes são, a maioria das vezes, carregadas de ideologias ensinado versões de fatos do passado para legitimar ações do presente, temos que também dizer que o cinema é um fato histórico, feita através de seu autor, no período de tempo que nele está inserido.

No Brasil, a Escola Nova surgiu, sugerindo a utilização de recursos audiovisuais, com o grande aumento do desenvolvimento do cinema na década de 20 e 30, fazendo uma maneira de estimular o interesse do aluno, logo com a Reforma Francisco Campos (Decreto 19.890 de 1931) recomendou a utilização da iconografia na educação escolar, pois isso trazia uma “curiosidade natural” do educando pela imagem (CATELLI).

Foi criado o Instituto Nacional de Cinema Educativo (INCE), que logo produziu dois longas sobre a História do Brasil: O descobrimento do Brasil e Os Bandeirantes, ambos dirigidos por Humberto Mauro.

O Descobrimento do Brasil”, a partir da reunião de documentos tradicionais da história do Brasil, recontou a fundação da nação, narrando o que antes já havia sido exibido de outro modo pelos museus históricos, principalmente pela pintura histórica: “O filme recorre, como fonte de composição de seus planos e suas sequências, as diversas pinturas, sendo a Primeira Missa no Brasil (1861), de Victor Meirelles, a citação mais clara” (MORETTIN, 2000, p.137). A dramatização, a trilha sonora, a montagem cinematográfica compõem uma nova forma de contar a história, que coincide com a ascensão do cinema narrativo como espetáculo de massa nas grandes cidades.

Desta forma, os novos meios de comunicação poderiam cumprir o papel de integrar a sociedade, estabelecendo contatos entre segmentos diferenciados: artista e público, litoral e sertão, nacional e estrangeiro, cultura popular e cultura erudita, pobres e ricos. Este projeto de integração principalmente do cinema educativo, que visava, sobretudo, consolidar uma nação, se caracterizava por uma modernização conservadora, já que era concebido como uma obra da elite, sendo esta vanguarda intelectual formada por planejadores, artistas e técnicos. A arte e a cultura eram reservas exclusivas desta elite, e, portanto, os novos meios de comunicação tinham como função irradiar uma cultura elaborada do “alto”,ou, no caso da cultura popular, selecionada por um corpo de profissionais especializados.

As produções do cinema educativo, que tinham como finalidade instruir a juventude sobre a nossa história, acatavam os princípios da História oficial, e se por um lado pareciam servir aos objetivos da Escola Nova, por outro ajudavam a sacramentar mitos nacionais, Isso era uma dura crítica ao Governo Vargas (1930-1945) que influenciado pelo fascismo italiano produziu vários filmes de cunho oficial do governo, Vargas dizia que o cinema era “elemento de cultura que influía diretamente sobre o raciocínio e a imaginação, apurando as qualidades de observação, aumentando os cabedais científicos e divulgando conhecimento das coisas, sem exigir o esforço e as reservas de erudição que o livro requer e os mestres, nas suas aulas, reclamam”.

Isso permitia aos governos usarem o cinema na educação daqueles que não sabiam ler. O analfabetismo era um problema social brasileiro considerado um obstáculo ao progresso. Também as imagens de Vargas, como “pai dos pobres” e “grande líder da nação” foram construídas, entre outros meios, pelos cinejornais. Nos diários cinematográficos, Vargas aparecia inaugurando fábricas, construindo estradas, recebendo crianças e esportistas no Palácio do Catete. A preocupação em fazer de Vargas o “grande homem do Brasil” era tanta que em alguns momentos criava situações engraçadas, como a narrada por Henrique Pongetti, diretor da Divisão de Cinema e Teatro do DIP. “Getúlio gostava de jogar golfe, estava longe de ser um campeão e suas bolas não queriam nada com o buraquinho. Dei instruções a Ramon Garcia, cameraman, destacado sempre para glorificar o homem, que pedisse a um bom jogador para fazer umas espetaculares jogadas e filmasse Getúlio dando porretada na bola. Fizemos uma montagem perfeita e o povo que tinha simpatia pelo baixinho risonho, bateu palmas no Metro do Passeio”.

Vargas via no cinema o espelho daquilo que idealizavam, o cinema foi um aliado fundamental no processo de conquista da população. Através dele, conseguiam fazer com que as qualidades dos governos autoritários fossem ressaltadas e até mesmos inventados.



  • FILMES HISTÓRICOS





Com pesquisas na internet, podemos ver amplos filmes de contexto histórico que temos a disposição, em vários sites e principalmente blogs de professores de História, vemos a grande quantidade de material da sétima arte para trabalhar didaticamente com as turmas de ensino fundamental e ensino médio alguns filmes têm uma linguagem bem próxima, (quer seja com ação ou por curiosidade do aluno), dos educandos e outros com linguagem de difícil acesso pra eles, ou seja, temos que ser bem categóricos com as turmas que queremos trabalhar e principalmente do difícil dialogo que o filme passa. Faço aqui uma tabela de filmes e seus respectivos tempos históricos:








Quadro1*: Filmes
FILME
TEMPO HISTÓRICO
300,
Diretor: Zack Snyder
Ano:2007
História Antiga, Batalha das Termópilas
CRUZADA,
Diretor: Ridley Scott
Ano: 2005
História Medieval, Cruzadas
TROIA,
Diretor: Wolfgang Petersen
Ano: 2005
História Antiga, Grécia, Guerra de Troia.
GLADIADOR,
Diretor: Ridley Scott,
Ano 2000
História Antiga, Roma.

O RESGATE DO SOLDADO RYAN, Diretor: Steven Spienberg
Ano: 1998
História Contemporânea, II Guerra Mundial.
O NOME DA ROSA,
Diretor: Jean-Jacques Annoud
Ano:1986
Idade Média, Inquisição.
VATEL,
Diretor: Roland Joffé
Ano: 2000
História Moderna, Luís XIV.
RESTAURAÇÃO – O OUTRO LADO DA NOBREZA.
Diretor: Michael Hoffman
Ano: 1990
História Moderna, Pragas.
APOCALYPTO
Diretor: Mel Gibson
Ano: 2006
História da América, Incas, Descobrimento.
GUERRA DE CANUDOS,
Diretor: Sergio Rezende
Ano:1997
História do Brasil, Guerra de Canudos.
O CONTESTADO – RESTOS MORTAIS
Diretor: Sylvio Back
Ano:2012
História de Santa Catarina, Guerra Contestado.
ADEUS, LENIN
Diretor: Wolfgang Becker
Ano: 2003
Crise do Socialismo, Fim da URSS.
O ULTIMO REI DA ESCÓCIA
Diretor: Kevin Macdonald
Ano: 2006
África no século XX.
A QUEDA
Diretor: Oliver Hirschbiegel
Ano:2004
Segunda Guerra Mundial, Hitler
GERMINAL
Diretor: Claude Berri
Ano:1993
Revolução Industrial, Ludismo.
1492 A CONQUISTA DO PARAÍSO
Diretor: Ridley Scott
Ano: 1992
Grandes Navegações, História da América.
O INCRIVEL EXERCITO DE BRANCALEONE
Diretor: Mario Monicelli
Ano: 1966
História Medieval.
A GUERRA DO FOGO
Diretor: Jean-Jacques Annaud
Ano:1981
Pré-História.
O QUE É ISSO COMPANHEIRO
Diretor: Bruno Barreto
Ano: 1997
Ditadura Militar, História do Brasil.
FÚRIA DE TITAS
Diretor: Louis Leterrier
Ano: 2010
Grécia Antiga, Mitologia Grega
CAÇA AS BRUXAS
Diretor: Dominic Sena
Ano:2011
Idade Média, Inquisição
MAOMÉ – O MENSAGEIRO DE ALÁ
Diretor: Moustapha Akkad
Ano:1976
Civilização Muçulmana, Tema Religioso

*Quadro feito pelo autor


Claro que estes são apenas exemplos de filmes há inúmeros filmes de conteúdo histórico não listados aqui. Com essa grande quantidade podemos elaborar planos de aula que está relacionado a um assunto abordado em sala de aula.



  • PLANOS DE AULA





No site da Nova Escola [1] temos alguns exemplos de um plano de aula, que usa o filme “Gladiador” para demonstrar a sociedade Romana e o “Pão e Circo” promovido com os torneios de gladiadores, pelos imperadores, demonstrar suas vestimentas e seu cotidiano na visão de tempo e cultura dos Romanos:

Como explorar o Império Romano com "Gladiador"

Introdução

Neste filme, vencedor de cinco Oscar, incluindo melhor filme e melhor ator, Russell Crowe vive Maximus, o maior general do Exército romano. Em 180 d.C., o imperador Marcus Aurelius morre na frente de batalha, dando lugar a seu filho Commodus. Maximus era o favorito do imperador à sucessão, o que leva Commodus a mandar matá-lo para garantir o trono. “Gladiador dá uma boa ideia de como eram espaços como o Coliseu e mostra a dinâmica da sociedade da época e quem eram os grupos dominantes”, afirma o professor Juliano Custódio Sobrinho, da Universidade Nove de Julho (Uninove). Objetivo

Conhecer a sociedade romana, os grupos sociais mais abastados, que dominavam a política, o exército e os povos escravos. Conteúdo
História antiga e sociedade romana.
Trechos selecionados
O início, que apresenta o acampamento de batalha, que retrata a vestimenta do Exército romano (2m10s a 17m30s), cenas em que

Maximus está entre os escravos e começa a se destacar como gladiador (46m01s a 58m29s) e o trecho final, em que ele luta no Coliseu (2h15m27s a 2h28m15s).

Atividade
Diga que a turma irá assistir a trechos de
Gladiador e explique que o filme se passa no século 2, na Roma antiga. Depois da exibição, pergunte o que os alunos sabem dizer sobre a sociedade romana dessa época. Anote as ideias apresentadas. Peça que, em grupos, realizem uma pesquisa sobre o tema, explicitando a característica se o papel de governantes, do Exército e do povo. Organize um debate entre as equipes. Atribua funções específicas para cada aluno (quem fará as perguntas, quem responderá e quem será o relator). É interessante discutir a função do gladiador na sociedade romana e a política de “pão e circo”. Pergunte se reconhecem hoje em dia políticas semelhantes a essa e sistematize no quadro as informações. Avaliação
Compare as informações anotadas no início da atividade com as apresentadas na pesquisa. Analise também a participação de todos no debate.

Usar este exemplo acima de plano de aula facilitou e muito o trabalho desenvolvido com os alunos de 6° ano da Escola Giovania de Almeida em Balneário Camboriú, com um interesse dos alunos sobre Roma e sobre os torneios de Gladiadores, que também vem de séries como Spartacus e suas temporadas, provando que sim o uso do cinema pode ser um importante aliado para o professor.

Outro exemplo de uso dos filmes sobre o nazifascismo é pelo filme O grande ditador veja o exemplo retirado de um blog de uma professora de História[4]:



Introdução

*Podemos apontar algumas razões que justificam a escolha do filme, a principal delas é que ele retrata um momento histórico importante: a Segunda Guerra Mundial.

*Além disso é uma oportunidade dos alunos conhecer a genialidade de Charles Chaplin. O grande palhaço “Carlito” que não temendo as consequência ousou denunciar Hitler, que naquele momento era reverenciado como aquele que seria capaz de derrotar a URSS.



Objetivos:

- Compreender a extensão e a importância da história da Segunda Guerra Mundial;

- Valorizar o conceito de liberdade;

- Situar geograficamente os países envolvidos;

- Compreender as diferenças dos sistemas políticos;

- Entender as diferenças étnicas e culturais;

- Conhecer a realidade econômica e histórica do período histórico;



Conteúdo:

A Segunda Guerra Mundial, O Antissemitismo.



Desenvolvimento:

Nas aulas de História, o professor de História fará com os alunos um estudo a respeito do tema(A Segunda Guerra Mundial). Depois, em outras aulas seguintes, serão apresentados alguns trechos filme e também um exercício reforçando a importância de conhecer uma passagem da Segunda Guera( O Holocausto) e contextualizá-la aos conteúdos estudados em sala de aula . Após o filme, nas demais aulas, será proposta sobre o assunto.

Além das discussões, os alunos farão um pequeno exercício sobre os principais elementos que compõem a narrativa do filme (personagens, espaço, tempo cronológico, conflito gerador e o tipo de narrador). E o professor de História preparará uma atividade avaliativa contendo 15 questões objetivas relacionando os conteúdos já estudados, com a narrativa do filme.



Avaliação:

A avaliação será feita no decorrer das discussões em sala de aula, levando em consideração a participação dos alunos. Atividades feitas pelos educandos.



Um dos períodos históricos mais difícil de abordar é a Pré-História, com poucas informações sobre o modo de vida desses humanos, pela distância de época para o historiador analisar e principalmente o educando de compreender e identificar-se com esse período, há poucos filmes disponíveis que aborda esse período e um dos poucos é o filme “Guerra do Fogo” fiz um plano de aula também desse filme para a compreensão das primitivas sociedades humanas:



Objetivos:

1) Conhecer o conceito “Pré-história” e sua diferenciação de “História”.



2) Destacar o uso da cronologia e as divisões e marcos históricos utilizados na contagem do tempo (idade, século, antes de Cristo/depois de Cristo) como facilitadores para compreensão do tempo histórico.



3) Compreender a diversidade dos grupos pré-históricos e a insuficiência do conceito de evolução linear perante o processo de convivência e aprendizado entre grupos humanos distintos (de acordo com descobertas arqueológicas).



Justificativa:

A Pré-história sempre foi um tema bastante instigante para nós, pois a questão Qual é a nossa origem? Nos faz refletir a respeito do surgimento do homem na terra.



Para que essa pergunta encontre respostas, é de fundamental importância conhecermos as hipóteses evolucionistas surgidas há um século e meio e que revolucionaram a partir daí todo o conhecimento produzido posteriormente, inclusive o nosso.



Ponto de partida:

Ler o texto Pré-história (2): O surgimento do ser humano e os períodos pré-históricos no site Educação do UOL.



Estratégias:

1) Inicie a abordagem deste conteúdo a partir da historicidade do conceito de Pré-história explicando aos alunos que foram os historiadores europeus do século 19 que elaboraram o que deveria ser compreendido como "Pré-história". Vale lembrar que o contexto histórico da época promovia a formação de conceitos e ideias baseadas no Cientificismo.



2) Apresente a Linha do tempo da Pré-história e os marcos que originaram os períodos Paleolítico, Neolítico e Idade dos Metais até o surgimento da escrita como fator de ruptura entre a Pré-história e a História. Você pode desenhar na lousa a própria Linha do tempo e ir explicando cada um dos períodos, ou levá-la pronta em transparência e utilizar o retroprojetor em sala de aula.



3) Entregue o texto Pré-história (2): O surgimento do ser humano e os períodos pré-históricos aos seus alunos. Os alunos poderão acompanhar a leitura que você fará em voz alta, e a cada trecho lido você poderá interrompê-lo para fazer a sua explanação ou até mesmo para tirar dúvidas dos alunos.



4) O texto sugerido para a leitura abre a possibilidade de discutir as várias teses a respeito do surgimento do gênero Homo e a convivência de espécies humanas distintas. Se você tiver mapas conceituais mostrando, por meio de imagens, a evolução do gênero Homo e em alguns momentos da Pré-história a convivência de uma espécie com a outra, vale a pena levar para a classe, pois a nossa explanação e o registro escrito dão maior sentido e segurança aos alunos quando complementados por meio de esquemas ou mapas conceituais.



5) A ideia de que outras espécies humanas podem ter convivido com a nossa (Homo sapiens sapiens) causa nos alunos uma sensação de estranheza, pois muitos livros didáticos apresentam de forma equivocada o processo evolutivo do homem.



Para que os alunos possam compreender melhor este conteúdo, propõe-se a projeção do filme “A Guerra do Fogo” (Quest for Fire), de Jean-Jacques Annaud (1981). O filme aborda a sobrevivência dos grupos humanos na Pré-história e sutilmente faz a crítica à antiga ideia de evolução, pois na guerra pelo fogo, o autor mostra três grupos humanos diferenciados, não só no plano cultural, mas também na forma física.



O grupo que detém o conhecimento da produção do fogo possui aspectos físicos muito próximos ao nosso, em contrapartida, o outro agrupamento humano já tem características físicas diferentes, com o corpo coberto de pelos. Estas distinções são relevantes porque mostram que a espécie Homo sapiens sapiens foi contemporânea da espécie Homo sapiens e Homo neanderthalensis. O professor deve chamar a atenção para essas cenas, pois as mesmas rompem com o senso comum de que a evolução humana foi linear.



6) Após a projeção, proponha à classe uma reflexão sobre o filme, como por exemplo:



a) quantos grupos humanos o filme representou e quais seriam as espécies ali abordadas;



b) qual o tempo histórico vivido no filme (aproximadamente);



c) qual o tipo de moradia entre os variados grupos humanos;



d) qual o tipo de relação predominante entre os grupos: hostil ou de reciprocidade.



7) Para fechar este conteúdo seria interessante que o professor propusesse aos alunos a confecção de uma ficha técnica e a redação de uma sinopse sobre o filme.



8) Se os alunos manifestarem alguma dificuldade com os gêneros textuais solicitados, trabalhe em conjunto com a disciplina de Língua Portuguesa e o produto final pode ser avaliado interdisciplinarmente.





  • ALTERNATIVA PARA OS FILMES HISTÓRICOS



Podemos também citar neste trabalho filmes que podem funcionar como alternativas para os filmes históricos, que não tenham apenas de pano de fundo momentos ou fatos históricos mas que trazem mensagens para o aprendizado do aluno e principalmente para refletir sobre determinado tema. Uma desses filmes é Narradores de Javé (2003), o segundo filme da diretora Eliane Caffé, neste filme, observamos uma ousada precisão com a “dinâmica social” e seu ciclo histórico. O filme constrói através dos 100 minutos de duração do filme, todo o funcionamento e perpetuação das várias facetas da memória popular e da História Oral.

O filme conta a história do Vale de Javé, que está ameaçado pela construção de uma represa para a nova hidrelétrica, a única condição para a permanência do povoado “no caminho das águas” seria o tombamento do múnicipio para Patrimônio Histórico. Sem documentos que possam dar conta do importante passado, os habitantes do povoado resolvem escrever a história de Javé com base nos fatos e depoimentos dos moradores – conforme suas próprias lembranças ou histórias ouvidas em outros tempos – função que é incumbida ao personagem Antônio Blá.

Neste filme os próprios moradores de Javé se tornam historiadores, e os depoimentos cedidos estão permeados de parcialidade e louvor a esse ou aquele herói fundador, conforme parentesco ou mesmo devaneios de quem conta. Por sua vez, esses depoimentos devem passar pelo aval de um outro morador (Antônio Blá), que por saber escrever, é o “historiador cientista”, aquele que supostamente pode transformar as “mentiras da história oral” em “verdades da história oficial” O embate entre a ciência e o imaginário popular é constantemente trazido à tona por Antônio Blá.

Eliane Caffé consegue fazer da construção da história uma comédia de altíssimo nível cinematográfico e intelectual, o elenco é de uma grandeza, especialmente José Dumonte e Gero Camilo, em grandes atuações, o uso desse filme pode ser tanto no contexto histórico nacional, ou fazer com que o aluno observe como a história é construída dando exemplos de escrita para apresentação das verdades que estão impregnada nos currículos de história, e neste filme a história oral é usada com frequência, o que podemos demonstrar que o fato histórico está repleto de subjetividade do narrador ou de quem escreve a história.







  • CURTA NA ESCOLA



Outra grande alternativa de facilidade de acesso a conteúdos é o Curta na Escola [2] tem como objetivo promover e incentivar o uso de curtas-metragens brasileiros como material de apoio pedagógico em salas de aula.

Esta iniciativa já existia desde o início do Porta Curtas Petrobras, em agosto de 2002, em março de 2006, foi criado dentro do Porta Curtas o canal Curta na Escola, onde havia a indicação de filmes do acervo para o uso pedagógico, com sugestões de especialistas e produção de planos de aula para todos os níveis de ensino.

O canal sempre teve uma grande adesão de professores, que viam outros planos de aula e elogiaram o serviço, motivando o desenvolvimento do Projeto Curta Na Escola, que reúne hoje neste web site um conjunto de ferramentas dedicadas a promover o uso dos curtas-metragens brasileiros na educação.

O projeto é aberto a professores de todo o Brasil, de forma totalmente gratuita, e tem por objetivo constituir uma Comunidade Nacional de Aprendizagem em torno da construção colaborativa de conteúdos relacionados ao uso dos curtas-metragens disponíveis no site Curta na Escola.

Nesta plataforma os professores cadastrados compartilham suas vivências em torno da utilização dos curtas em sala de aula, comentando os filmes e enviando sua experiência educacional por meio de relatos que formam o Banco de Relatos aberto para consulta. A seguir retiramos do site as propostas para o que se vincula.



Proposta Pedagógica:

O trabalho com audiovisual na educação pode contribuir muito com a prática pedagógica. No caso de curtas-metragens brasileiros há diferenciais educacionais importantes que devem ser considerados:



Conteúdos produzidos no Brasil e por realizadores brasileiros, representa nossa sociedade e a nossa cultura;

Incentiva a criação de projetos de Educomunicação alinhando comunicação, objetos multimídia, aprendizagem colaborativa e interdisciplinar;

A qualidade da produção brasileira de filmes neste formato é reconhecida em todo o mundo por sua excelência;

Favorece a construção colaborativa de conhecimento entre os próprios professores por meio do Banco de Relatos;

Sua curta duração, geralmente próxima a 15 minutos, faz do curta-metragem o formato ideal para utilização em sala de aula, permitindo que os filmes sejam aplicados como “porta de entrada” de um assunto, fonte adicional de informação, motivação para debater um tema ou para “coroar” o final de um projeto.

Desenvolvimento de novas formas de utilização dentro da sala de aula.



A também relatos de professores que usam os curtas, no site encontramos vários depoimentos de profissionais da educação:



Uma experiência de cineclubismo na escola:



Data da Experiência:04/07/2012

Disciplina(s): História

Temas transversais: Cidadania

Nível de ensino da turma*: Ensino Fundamental II

Faixa etária da turma*: de 10 a 14 anos

Nº de alunos que assistiram esta sessão:30

Autor do relato: Renata Telha F. De Oliveira

Instituição: E.M. Presidente Roosevelt| RJ | Municipal



Objetivos do uso do filme: Garantir um espaço de entretenimento ao aluno; - Propor o diálogo entre alunos e professores sobre a temática do preconceito e suas diversas formas de apresentação na sociedade, através do filme exibido; - Garantir ao aluno um espaço para compartilhar suas experiências e impressões sobre o tema abordado no filme; - Contribuir, em um espaço alternativo, com a formação do aluno como cidadão, através da valorização da diferença e respeito mútuo.

Sequência de atividade envolvendo os filmes: A Escola Municipal Presidente Roosevelt participa do Projeto “Cineclube nas Escolas”, em parceria com a Secretaria de Educação da Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro, tendo, assim, recebido filmes de curtas-metragens para compor seu acervo. Nosso cineclube, denominado “Cine Presidente”, funciona quinzenalmente, com filmes exibidos durante o horário do recreio dos alunos do 2º segmento do Ensino Fundamental. Tais como todos os filmes exibidos pelo cineclube, " O Xadrez das Cores" foi selecionado pelos alunos monitores e professores coordenadores, após assistirem e dialogarem entre si sobre as impressões que tiveram da temática abordada. Os alunos monitores prepararam cartazes de divulgação da sessão e distribuíram ingressos para os alunos, do 6º ao 9º anos, interessados em participar da atividade. Após o filme, foi realizado um frutífero debate com os alunos sobre o curta, em que puderam expor suas opiniões sobre os papéis desempenhados pelas personagens e sobre o preconceito presente na sociedade.



Comentários: A exibição do filme "O Xadrez das Cores", na E.M. Presidente Roosevelt, trouxe experiências muito positivas e impactantes na minha formação profissional. Acompanhando os monitores desde o processo de seleção até a sessão, percebi que o tema provocava reações diferentes nos alunos, que variaram de risadas à indignação. Minha primeira observação foi a de que os alunos não conseguiram compreender o significado do título do filme, o que foi se revelando, para eles, ao longo da exibição. Se as atitudes e os diálogos preconceituosos de Dona Estela com a empregada, nas primeiras cenas, produziram muitas risadas entre os que assistiam, ao longo da trama, passaram a incomodar os alunos. Ao conhecerem mais de perto a empregada, pode-se dizer que houve uma aproximação entre eles. De certo que muitos deles possuem uma realidade de vida bem parecida com a daquela mulher que perdera o filho de modo trágico. Com a revelação do modo pelo qual seu filho havia morrido, percebi que alguns alunos baixaram a cabeça ou desviaram o olhar para não participarem daquele momento. Muitos deles, por morarem em uma comunidade em conflito, conheciam de perto aquela dor. Dali em diante, não ouvi mais risadas ou brincadeiras na sala. Acredito que eles pararam para ouvir o que aquela mulher, que parecia não merecer atenção, tinha a dizer. A abordagem da afirmação da diferença e da igualdade de direitos entre brancos e negros se tornou uma mensagem clara e o “Xadrez das Cores” fez sentido. Após o filme, durante um debate realizado pelos monitores, os alunos participaram, expondo as experiências que tiveram com o preconceito - seja como vítima ou como um agressor. Acredito que o filme tenha sido uma ferramenta muito eficaz para a abordagem de uma tema tão caro ao nosso tempo presente e que ele viabilizou a concretização dos objetivos que propusemos.



  • MÉTODOS DE PESQUISA



Os metódos pesquisados neste aritgo são de planejamento de trabalho e conclusão dos Estágio II e III, ou seja, na prática do cotidiano escolar, visto que trabalhando na área alguns anos vejo profissionais preocupados com a boa utilização de instrumentos audiovisuals, além disso pesquisas na internet de artigos e livro como o mais importe na área, Marc Ferro, onde neste livro podemos colocar um objeto de pesquisa para a História.

Leituras de outros autores com relação ao cinema e a História foi o livro História e Cinema: Educação para as mídias, com a importancia de ser uma leitura sem requisito, ou seja, não precisar fazer graduação de História para entender, que pega um dos filme com que trabalhei que foi Gladiador e sua relação com o tempo do filme(161 – 180 d.C) e o ano que foi filmado (2000), com esses materiais enrriqueceu a pesquisa com visões diferentes sobre tempo e História.





  • CONSIDERAÇÕES FINAIS



Vimos que os filmes na escola são importante aliado para o ensino de História, os vários olhares que o cinema pode nos transportar para lugares impossíveis pelo tempo, isso constrói no aluno uma visão do passado (que temos de ter cuidado de não ser a única) principalmente na sociedade que estamos inseridos.

O desfalecimento da ruptura ideológica, que para Zygmunt Bauman, estamos inseridos e principalmente nossos alunos, é a “sociedade líquida” conceito sociocultural que a sociedade capitalista vem com a crise das ideologias (BAUMAN, 2009), reflete muito na educação, como educadores nos perguntamos qual ensino queremos para os alunos? Que tipos de instrumentos podemos utilizar não para “matar” tempo? Estes questionamentos vai nos perseguir por todo nossos anos no magistério, e com isso temos que criticar os modelos atuais que o ensino está, com várias quebras de valores.

Não podemos negar que a tecnologia é uma ferramenta viável para o ensino, deixá-la de lado é retroceder o processo que a educação pede para tornar os alunos cidadãos críticos, que na escola estamos “moldando” mais sem deixar de crítica o sistema educacional que visa mais o tecnicismo e não absorveu as mudanças que a sociedade trouxe, seja com ferramentas tecnológicas ou por pensamentos e na educação não pode ser diferente.

O papel do professor então como mediador do conhecimento deve tirar benefícios disso, mostrar que o uso da tecnologia pode sim trazer mudanças significativas no modo de ver o tempo e de criticar a sociedade e a cultura, não apenas “americana” como vemos bastante nos filmes, mas mostrar outras produções de outros países, principalmente o Brasil, que está crescendo em relação as produções nacionais.

Desmistificar os personagens históricos, é um primeiro passo para ver outras visões que o cinema pode trazer, trago o exemplo de Maria Antonieta que foi a última rainha da França, casada com Luis XVI, foi vista como exemplo de arrogancia da corte e que teve várias produções cinematográficas, para mostrar esse estilo de vida de riqueza como forma de desprestigiar esse personagem, há duas produções relativamente novas, que focam sobre ela um é “Maria Antonieta” de 2006 que foi dirigido por Sofia Coppola, e outro mais recente é “Adeus Minha Rainha” de 2012 dirigido por Benoît Jacquot.

No filme de 2006 narra, numa linguagem ousadamente contemporânea, os episódios marcantes da vida de Maria Antonieta desde a saída da Áustria, aos quatorze anos, para se casar com Luis Augusto, até a explosão das revoltas em Paris em julho de 1789. A diretora deixa evidente que a releitura que faz da vida da rainha francesa é muito particular, embora amparada nas narrativas e em biografias históricas recentes, ou seja, diferentemente das visões históricas que a revolução deixou como legado.

Já o filme de 2012 reconstrói o início das revoltas da perspectiva da serva da rainha e da relação que ela estabelece com a mesma, pela subjetividade dela somos conduzidos pelos labirínticos corredores do palácio que levam aos aposentos e aos dramas pessoais de Maria Antonieta deflagrados pela queda da Bastilha. O recorte temático e subjetivo do filme nos apresenta, portanto, os momentos iniciais da revolução vistos dos luxuosos aposentos da rainha, e é pelos olhos da serva, cheios de admiração e paixão por Antonieta, que assistimos o desenrolar dos acontecimentos em Versalhes. O filme reconstrói o início das revoltas da perspectiva da serva e da relação que ela estabelece com a rainha.

Vivemos num tempo em que o passado pode também ser construído e narrado da perspectiva da rainha, de Versalhes, das elites, dos senhores de escravos e dos patrões, sem que isso soe elitista, reacionário ou tradicional. Quando a história era escrita somente do ponto de vista das “classes altas”, com total desinteresse pelas “classes populares”, havia um sentido conservador, misto de preconceitos cultivados e de uma concepção elitista da história. O que se convencionou chamar de “história vista de baixo”, e as diferentes formas de abordagem popular do passado, abriram o campo da história para os diferentes grupos sociais e personagens socialmente menos favorecidos, arrancando a escrita da história dos domínios exclusivamente conservadores.

E é nesse pensamento que devemos mostrar para os alunos que tanto as narrativas de ficção como a própria produção historiográfica trabalham com construções baseadas em versões e descrições, assim o aluno passa a criticar e a refletir sobre a sétima arte e para as novas mídias que possuímos hoje.

José Manuel Moran nos fala bem sobre essa questão:



Ensinar com as novas mídias será uma revolução se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário, conseguiremos dar um verniz de modernidade sem mexer no essencial.



A escrita possui um valor muito forte como documento ainda na educação, mais os cuidados que os professores estão tomando com relação ao uso dos meios audiovisuais, o vídeo, o filme ou o CD-ROM podem acabar se tornando instrumentos de transmissão mecânica do saber, desprovidos de análise crítica, o que acaba servindo a um propósito contrário ao projeto primordial da inserção da linguagem imagética em sala de aula, o conteúdo termina por tornar-se inútil, visto que a informação é somente fixada sem provocar o questionamento ou motivar a pesquisa.

A função do audiovisual não é agir como mero suporte na transmissão tradicional do saber, os meios de comunicação como fonte válida de pesquisa, auxiliar importante da investigação científica.

Ao contrário do que se imagina, o filme representa tanto o passado quanto o presente, estando estes dois momentos ocorrendo num processo simultâneo, que é o pensamento contemporâneo sobre o passado, é uma tendência bastante crescente nos meios historiográficos, a análise aqui empreendida buscou afirmar o cinema, e em particular, o filme histórico, como documento válido e necessário no entendimento de acontecimentos passados dos quais raras vezes a indústria cinematográfica se ocupa, e cabe ao historiador/educador auxiliar o aluno neste processo.





  • REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS




[2] Curta Na Escola: http://www.curtanaescola.org.br/



KARNAL, Leandro(org) . História na Sala de Aula: conceitos, práticas e propostas, São Paulo: Contexto, 2009.



MOCELLIN, Renato. História e Cinema: educação para as mídias. São Paulo: Editora do Brasil, 2009.



MORAN, José Manuel(org). Novas Tecnologias e mediação pedagógica, São Paulo: Papirus, 2000.



FERRO, Marc. Cinema e História. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992.



BAUMAN, Zygmund. Vida Líquida. Rio de Janeiro: Zahar,2009.



CATELLI, Rosana Elisa. Cinema educativo, 1920-1930: A educação das massas e a educação do cinema nacional. 2008. 14f. Artigo científico – UFRGS, Porto Alegre, 2008.



Gladiador”, de Ridley Scott, EUA, 2000, 155 min.



A Guerra do Fogo”, de Jean-Jacques Annaud, França, 1981, 100 min.



O Xadrez das Cores”, de Marco Schiavon, Brasil, 2004, 21 min.



Narradores de Javé”, de Eliane Caffé, Brasil, 2003, 100 min.



Maria Antonieta”, de Sofia Coppola, EUA, 2006, 120 min.



Adeus Minha Rainha”, de Benoît Jacquot, França, 2012, 100 min.

Blogs:

http://www.escribacafe.com/
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http://www.historiaintegrada.blogspot.com.br/
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