domingo, 9 de novembro de 2014

Voce sabe o que Bolivarianismo?



Por Marsílea Gombata
Da Carta Capital
Após ser apropriado pelo ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, o termo originado do sobrenome do libertador Simón Bolívar aterrissou no debate político brasileiro. São frequentes as acusações de políticos de oposição e da mídia contra o governo federal petista. Lula e Dilma estariam "transformando o Brasil em uma Venezuela". Mas o que é o tal bolivarianismo de que tanto falam? É um palavrão? O Brasil é uma Venezuela? Bolivarianismo é sinônimo de ditadura comunista? Antes de sair por aí repetindo definições equivocadas, leia as respostas abaixo:
O que é bolivarianismo?
O termo provém do nome do general venezuelano do século XIX, Simón Bolívar, que liderou os movimentos de independência da Venezuela, da Colômbia, do Equador, do Peru e da Bolívia. Convencionou-se, no entanto, chamar de bolivarianos os governos de esquerda na América Latina que questionam o neoliberalismo e o Consenso de Washington (doutrina macroeconômica ditada por economistas do Fundo Monetário Internacional - FMI - e do Banco Mundial).
Bolivarianismo e ditadura comunista são a mesma coisa?
Não. Mesmo considerando a interpretação que Chávez deu ao termo, o que convencionou-se chamar bolivarianismo está muito longe de ser uma ditadura comunista. As realidades de países que se dizem bolivarianos, como Venezuela, Bolívia e Equador, são bem diferentes da Rússia sob o comando de Stalin ou mesmo da Romênia sob o regime de Nicolau Ceausescu. Neles, os meios de produção estavam nas mãos do Estado, não havia liberdade política ou pluralidade partidária e era inaceitável pensar diferentemente da ideologia dominante do governo. Aqueles que o faziam eram punidos ou exilados, como os que eram enviados para o gulag soviético, campo de trabalho forçado símbolo da repressão ditatorial da Rússia. Na Venezuela, por exemplo, nada disso acontece. A oposição tem figuras conhecidas como Henrique Capriles, Leopoldo López e Maria Corina Machado. Cenário semelhante ocorre na Bolívia, no Equador e também no Brasil, onde há total liberdade de expressão, de imprensa e de oposição ao governo.
Foi Chávez quem inventou o bolivarianismo?
Não. O que o então presidente venezuelano Hugo Chávez fez foi declarar seu país uma "república bolivariana". A mesma retórica foi utilizada pelos presidentes Rafael Correa (Equador) e Evo Morales (Bolívia). A associação entre bolivarianismo e socialismo, no entanto, é questionável segundo a própria biógrafa de Bolívar, a jornalista peruana Marie Arana, editora literária do jornal americano The Washington Post. De acordo com ela, esse “bolivarianismo” instituído por Chávez na Venezuela foi inspirado nos ideais de Bolívar, tais como o combate a injustiças e a defesa do esclarecimento popular e da liberdade. Mas, segundo a biógrafa, a apropriação de seu nome por Chávez e outros mandatários latinos é inapropriada e errada historicamente: “Ele não era socialista de forma alguma. Em certos momentos, foi um ditador de direita”.
O que se tornou o bolivarianismo na Venezuela?
Quando assumiu a Presidência da República em 1999, Chávez declarou-se seguidor das ideias de Bolívar. Em seu governo uma assembleia alterou a Constituição da Venezuela de 1961 para a chamada Constituição Bolivariana de 1999. O nome do país também mudou: era Estado Venezuelano e tornou-se República Bolivariana da Venezuela. Foram criadas ainda instituições de ensino com o adjetivo, como as escolas bolivarianas e a Universidade Bolivariana da Venezuela.
Mas esse regime que Chávez chamava de bolivarianismo era comunista?
Não, apesar de o ex-presidente venezuelano ter usado o termo "Revolução Bolivariana" para referir-se ao seu governo. A ideia era promover mudanças políticas, econômicas e sociais como a universalização à educação e à saúde, além de medidas de caráter econômico, como a nacionalização de indústrias ou serviços. Chávez falava em "socialismo do século XXI", mas o governo venezuelano continua permitindo a entrada de capital estrangeiro no País, assim como a parceria com empresas privadas nacionais e estrangeiras. Empreiteiras brasileiras, chinesas e bielo-russas, por exemplo, constroem moradias para o maior programa habitacional do país, o Gran Misión Vivienda Venezuela, inspirado no brasileiro Minha Casa Minha Vida.
O Brasil "virou uma Venezuela"?
Esta afirmação não faz sentido. O Brasil é parceiro econômico e estratégico da Venezuela, mas as diretrizes do governo Dilma e do governo de Nicolás Maduro são bastante distintas, tanto na retórica quanto na prática.
Os conselhos populares são bolivarianos?
Não, e aqui o engano vai além do uso equivocado do adjetivo. Parte da Política Nacional de Participação Social, os conselhos populares seriam a base de um complexo sistema de participação social, com a finalidade de aprofundar o debate sobre políticas públicas com representantes da sociedade civil. Ao contrário do alegado por opositores, os conselhos de participação popular não são uma afronta à democracia representativa. Conforme observou o ex-ministro e fundador do PSDB Luiz Carlos Bresser-Pereira, os conselhos estabeleceriam “um mecanismo mais formal por meio do qual o governo poderá ouvir melhor as demandas e propostas [da população]”.

quinta-feira, 6 de novembro de 2014

Independência do Haiti



Fruto da vitória dos escravos de Santo Domingo contra o exército napoleônico, então o mais poderoso do mundo, a proclamação da independência do Haiti, em 1º de janeiro de 1804, é um desses episódios da história universal cujo alcance foi por muito tempo ocultado. Em sua obra "Silencing the Past" (Silenciando o Passado), o antropólogo haitiano Michel-Rolph Trouillot mostra que essa revolução de escravos exigindo direitos universais e instaurando a primeira república negra do mundo era
simplesmente impensável, e portanto foi reduzida ao silêncio.
As conseqüências do desmoronamento econômico da "Pérola das Antilhas" sobre o desenvolvimento da Revolução Francesa e os regimes que a seguiram não foram totalmente exploradas. Em meados do século 18, a colônia francesa de Santo Domingo fornecia 75% da produção mundial de açúcar, um bem cuja importância pode ser comparada à do petróleo hoje e representava três quartos do comércio dos
portos franceses.
A amplidão dos massacres e das devastações durante os 13 anos de guerra civil da revolução haitiana só foi percebida tardiamente na metrópole. Morreram entre 100 mil e 150 mil negros e cerca de 70 mil franceses, dos quais 20 mil colonos, muitas vezes em circunstâncias atrozes. As notícias, os comissários e os reforços levavam na época dois meses para atravessar o Atlântico. Desde a insurreição dos escravos no norte, deflagrada em 14 de agosto de 1791 durante a famosa cerimônia vodu de Bois-Caiman, as ordens e os decretos parisienses sempre se atrasaram em relação aos
acontecimentos.
Vários historiadores afirmam que, se Napoleão não tivesse sido derrotado pelos escravos de Santo Domingo, não teria realizado a mais considerável e pior operação imobiliária de todos os tempos. Ao vender a Luisiana, território equivalente a 17 Estados americanos atuais, aos jovens Estados Unidos por um pedaço de pão, ele mais que duplicou o território deste país, cujo potencial na época era considerado bem menor que o da antiga colônia de Santo Domingo.
De seu exílio em Santa Helena, o imperador deposto reconheceu que a expedição de Santo Domingo foi "um dos maiores erros" que cometeu. "Eu deveria me contentar em governar por intermédio de Toussaint", ele confiou ao conde de Las Cases. Pressionado pelos colonos e por sua esposa créole Joséphine de Beauharnais, Napoleão Bonaparte sentiu-se desafiado por Toussaint Louverture, um estrategista formidável, alternativamente qualificado de Spartacus ou Vercingétorix negro, que
impôs sua autoridade a toda a ilha de Hispaniola e teve a audácia de promulgar uma Constituição sem consultar o Primeiro Cônsul.
Livre da ameaça inglesa pela Paz de Amiens e seguindo os conselhos do general bretão Kerverseau, Bonaparte reuniu uma força considerável, "tal que não haja necessidade de utilizá-la toda, e que seu aparato demonstre a inutilidade da resistência": 43 mil homens, entre eles vários veteranos da campanha do Egito, poloneses e espanhóis, sob as ordens de seu cunhado, Victor-Emmanuel Leclerc.
Longe de se deixar impressionar pela imponente armada, o general Christophe, um dos lugares-tenentes de Louverture e que se tornaria o segundo chefe de Estado do Haiti e seu primeiro rei, leva a cabo sua ameaça de incendiar o Cap-Français, reduzindo a "Paris das Ilhas" a um monte de cinzas.
Apesar da traição que permitiu capturar Toussaint Louverture, que foi preso em uma cadeia glacial no forte de Joux, no Jura (França), onde morreu em 7 de abril de 1803, o corpo expedicionário encontrou uma resistência feroz dos negros, que temiam com razão o restabelecimento da escravatura.
"Ao me derrubar, abateram em Santo Domingo apenas o tronco da árvore daliberdade dos negros. Ele voltará a brotar pelas raízes, que são potentes e numerosas", profetizou aquele que Augusto Comte situou entre os novos "santos do calendário positivista", ao lado de Washington, Buda, Platão e Carlos Magno.
À guerrilha dos antigos escravos e à estratégia da terra queimada somou-se à devastação da febre amarela, que matou 30 mil soldados franceses. Levado pela "doença terrível", Leclerc foi substituído pelo cruel Donatien Rochambeau, que mandou vir de Cuba cães especialmente treinados para atacar negros. Dessalines, que substituiu Toussaint Louverture, não foi menos brutal, e os últimos meses da guerra foram marcados por combates de uma ferocidade raramente igualada. Em 18 de novembro de 1803, a batalha de Vertières, onde se destacou o intrépido Capois la Mort contra as tropas de Rochambeau, é o fim da expedição francesa, cujos restos se rendem a Dessalines no Cap. Jovem secretário de Dessalines, Boisrond-Tonnerre foi encarregado de redigir a ata de independência. Em 1º de janeiro de 1804, reunidos na praça de armas de Gonaives, na presença de uma imensa multidão, os chefes do exército indígena vitorioso proclamam a independência de Santo Domingo, que retoma seu nome indígena de Haiti: "Em nome dos negros e dos homens de cor, a independência de Santo Domingo está proclamada. Devolvidos à nossa dignidade primitiva, garantimos nossos direitos.
Juramos jamais ceder a nenhuma potência da Terra", eles prometem. Nomeado governador-geral vitalício, antigo título de Toussaint Louverture, Dessalines torna-se o primeiro chefe de Estado do Haiti, do qual se fará proclamar imperador nove meses depois.



terça-feira, 4 de novembro de 2014

Corrida de carros na praia de Balneário Camboriú (1973-1978)

Entre os anos de 1973 à 1978 era organizado na praia de Balneário Camboriú a corrida de carros com percurso que começava na praia e terminava no centro, próximo ao hotel imperatriz, atraiam por volta de 5 mil pessoas e vários competidores de toda Santa Catarina e também de fora do estado, as fotos coletadas não tem o ano exato, mas vale pelo registro confira:









Novos Baianos (1970-1978)



Vou mostrando como sou
e vou sendo como eu posso
jogando meu corpo no mundo
Andando por todos os cantos...


Tudo começou no Teatro Vila Velha (Salvador - BA) com o espetáculo "O Desembarque dos Bichos Depois do Dilúvio Universal". Os participantes: Luiz Dias Galvão, engenheiro agrônomo formado e praticante, poeta, aficionado por música, cinema e teatro, 32 anos; Antônio Carlos de Morais Pires, 21 anos de audição do alto-falante de Turiassu, no interior da Bahia; Paulo Roberto de Figueiredo, engresso da cidadania de santa Inês e ex-crooner da Orquesta Avanço, presença obrigatória nos bailes da região de Salvador, 23 anos, apelidado de La Bouche ou Paulinho Boca de Cantor; a niteroiense Bernadete Dinorah de Carvalho Cidade, recém-chegada a Salvador, onde comemoraria seus dezessete anos morando debaixo da ponte; Jorginho, Carlinhos, Lico e Pedro Anibal de Oliveira Gomes, o Pepeu, que integravam a banda de apoio, os Leif's. Com exceção de Bernadete, todos baianos e todos ilustres desconhecidos, estranhos, radicais, acintosos e novos. Era o início dos Novos Baianos, em pleno caos de 1969.

Baby, menina-problema de Niterói- costumava estudar no telhado de sua casa de vila e, à noite, ficava admirando em seu quarto um poster de Brigitte Bardot, remoendo silenciosa um desejo de ter as iniciais tão marcantes: BB. Sonhava, como tantas em sua idade, ser artista, cantora, merecer posters com suas iniciais. O nome não ajudava e o ginásio atrapalhava ainda mais. Num rasgo de liberação, vai com sua amiga, Ediane, passar as férias em Salvador, onde conhece Galvão e Moraes no "bar mais quente de lá", o Brasa. Galvão e Moraes haviam sido apresentados pelo cantor e compositor Tom Zé, amigo de Galvão desde que este lhe fez um projeto para o jardim de sua casa. Moraes, saído de um curso de percurssão no Seminário de Música da Bahia (não havia vaga de violão, seu instrumento), também conhecia Tom Zé, com quem fazia um show no Teatro Vila Velha.

Paulinho La Bouche, interiorano de chances novas na música, também conhece a tríade baiana e junta-se a eles na pensão de Dona Maritó. E de todos que formariam mais tarde os Novos Baianos, Pepeu era indiscutivelmente o músico, mestre da guitarra, dono de um estilo desde então inconfundível, genuinamente brasileiro. E era, ainda, o único veterano no sentido escrito da palavra, pois já havia passado por alguns grupos anteriormente, entre eles Os Minos, onde permaneceu tocando contrabaixo por quatro anos - momento raro registrado em compacto pela Copacabana em 1966: Febre de Minos e Fingindo me Amar. Junto com seu irmão Jorginho e os amigos Lico e Carlinhos, funda Os Leif's.

Foi Gilberto Gil que lançou Pepeu como guitarrista, o convidando para tocar com ele e Caetano Veloso no show de despedida no Teatro Castro Alves, o Barra 69. Gil viu Pepeu num programa da TV Salvador acompanhando Moras Moreira em São Paulo, ligou para a estação, achou seu endereço e foi buscá-lo em casa.

Em pleno caos de 1969, em meio às runínas das bananas e da antropofagia renascentista do tropicalismo, que surgem os malandros, loucos e imprevisíveis Novos Baianos. Novos porque pós-Gil e Caetano; baianos porque sim. Ou, como conta Pepeu, porque o grupo ia se apresentar na Record e ainda não tinha nome; então, na hora deles entrarem em cena, um funcionário da emissora gritou: - Chama aí esses novos baianos!


No início, apenas um quarteto - Moraes, Galvão, Paulinho e Baby (cujo novo e celebrado nome nasceu de uma personagem de filme) - que era acompanhado pelos Leif's. Galvão, o poeta e mentor, era obrigado a fazer mímica no palco, porque na época os empresários não admitiam trios cabeludos e só. Moraes, o parceiro de Galvão, a voz agridoce, o violão sutil. Paulinho era o malandro, o Lúcifer, o mandingueiro. Pepeu era o músico. Baby, a menina.

Depois do rebuliço do Dilúvio em Salvador, os Novos Baianos vão para São Paulo, onde se apresentaram em inúmeros programas de TV, sempre ultrapassando o número previsto de músicas e encenando expedientes absurdos, como fizeram a terminar seu showzinho no programa da Hebe Camargo, dançando tango com a animadora. Começa aí uma extensa lista de empresários, gravadoras, úlceras e dores de cabeça para quem quer que ousasse contratar os Novos Baianos. O primeiro empresário foi o poderoso Marcos Lázaro e a primeira contratação foi pela RGE, através de João Araújo. lançam, em 1969, um compacto ("De Vera" e "Colégio de Aplicação") e em seguida um LP cáustico, sardônico, ameaçador ("É Ferro na Boneca"), que incluía as faixas do compacto, uma cornucópia de estilos e títulos e ainda foi tema de dois filmes da época: "Caveira My Friend" e "Meteorango Kid".

Como o sucesso em São Paulo não fosse dos mais estimulantes, como ficou comprovado na desclassificação de De Vera no Festival da Record de 69, os Novos Baianos buscam público no Rio de Janeiro, levando consigo o Dilúvio e Pepeu, com seu novíssimo grupo de Ribeirão Pires, interior de São Paulo, Os Enigmas, de onde saiu também Odair Cabeça de Poeta, que muitos insistiam em confundir com um ex-Novo Baiano.

A mise-en-scéne foi a mesma do Teatro Vila Velha, só que, dessa vez, no Teatro Casa Grande. Como precisavam de um baixista, eles buscavam um substituto nas ruas de Ipanema e acabam achando Dadi, roqueiro de 18 anos, cuja única experiência verdadeira como músico vinha de tardes e noites acompanhando a última dos Rolling Stones com seus amigos. Pepeu se desliga definitivamente dos Enigmas, chama seu irmão Jorginho para ser o baterista, convida dois amigos percursionistas de São Paulo, Bola e Baixinho.

A farra estava formada. O LP pela RGE não vendera grande coisa, mas um dos grandes atrativos dos Novos Baianos era seu estilo até então inusitado de vida: todos moravam juntos, em comunidade, em Botafogo: quatro cômodos divididos entre doze pessoas.

A grande interação, além de provocar um perfeito entrosamento entre os músicos, gera subgrupos dentro dos Novos Baianos, como o trio Dadi (baixo), Pepeu (guitarra) e Jorginho (bateria), que passa a se chamar A Cor do Som e a apresentar um repertório elétrico-eclético que deixava entrever a destacada direção musical de Pepeu, guitarrando feroz, misturando Trio Elétrico e Jimi Hendrix num fraseado só.

Em 1971, a segunda gravadora e o segundo compacto, considerado por Moraes um disco ruim e mal gravado. Neste mesmo ano, João Gilberto vem ao Brasil e vai se confraternizar com os Novos Baianos, em Botafogo.

O ritmo da composição da dupla Galvão-Moraes sobe muito. João Gilberto ajudou muito no grupo, dizendo que eles deveriam gravar "Brasil Pandeiro", de Assis Valente, que era a cara deles. Também os fez enxergar com outros olhos a música popular brasileira. Ainda os fez pegar num cavaquinho, num pandeiro e a tocar samba.

Com todas as inovações e surgimento das músicas novas (Preta Pretinha, Acabou Chorare, Swing de Campo Grande), os Novos Baianos fazem uma temporada na boate carioca Number One, que deveria ter durado um mês, mas que acabou se estendendo por dois anos, por exigência do dono da casa, estimulado pela boa locação que o grupo trazia com sua direção musical. O público de meia-idade que freqüentava o Number One não podia deixar de se supreender com "um bando de cabeludos" fazendo um puro e sonoro samba.

Em sua terceira gravadora, os NB, recém-saídos desse vigoroso banho de brasilidade, gravam seu mais consistente álbum, "Acabou Chorare". Lançado em 1972 pela Sigla, Acabou Choraes mostrava todas as mudanças do novo trabalho baiano.



Eles alugam um sítio na Estrada dos Bandeirantes, na zona industrial de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, que foi apelidado como "Catinho do Vovô" e viu-se tomado por fanzocas exaltados, amigos de longa data, curiosos e, algumas inesperadas vezes, policiais.

Como era de se esperar, os NB trocam de gravadora novamente. Gravam seu terceiro disco pela Continental. "Novos Baianos Futebol Clube", um disco intimista, pessoal, como se refletiria no show seguinte, com o palco enfeitado de bandeirolas de São João e repleto dos filhos dos membros do grupo e de seus acólitos. Esse disco, ganhou um filme de Solano Ribeiro de mesmo nome.

A convite de um executivo da Continental, os NB vão morar em uma fazenda em São Paulo, onde gravam seu quarto álbum, "Novos Baianos" (mais conhecido como "Alunte"). Talvez pela capa feita com cores berrantes e pela má divulgação, o disco não chega a vender tanto quanto seus predecessores. O grupo se desentende com a gravadora, seguindo a tradição de contratos a curto prazo e estrepolias com seus contratantes.

E vem a crise. Na procura de seus caminhos próprios e inconformado com a despropositada estagnação musical do grupo, Moraes Moreira sai dos Novos Baianos para fazer sua carreira solo. Desfalcados de um compositor, eles encarregam pepeu de compor, dando-lhe carta branca para redirecionar o grupo. Praticamente no mesmo período, Dadi deixa os Novos Baianos, aparentemente sem planos de trabalho individual.

No final de 1974, os NB assinam contrato com a Som Livre e gravam seu primeiro disco sem Moraes, "Vamos pro Mundo", com regração de "Tangolete" (do primeiro álbum) e uma adaptação para "Preta Pretinha no Carnaval" (do segundo álbum). Moraes Moreira lança seu primeiro trabalho solo em 1975, levando seu nome ao disco.

Em 1976, o grupo assina seu contrato mais longo: assinaram dois anos com a Tapecar, onde gravaram os LPs "Caia na Estrada e Perigas Ver" (1976) e "Praga de Baiano" (1977). O grupo investe em samba, rock e chorinho no álbum de 1976. Já no álbum de 1977, o trio elétrico e a música instrumental domina o álbum.

Os Novos Baianos gravam seu último disco juntos. "Farol da Barra", uma canção de Caetano com letra de Galvão leva nome ao álbum de 1978. No mesmo ano, Baby e Pepeu lançam discos solos e o grupo se separa. No ano seguinte, é a vez de Paulinho lançar seu primeiro disco solo.


Alguns seguiram suas carreiras assiduamente, como Baby, Pepeu e Moraes. Paulinho gravou alguns discos e Dadi formou finalmente a banda A Cor do Som, com quem lançou discos juntos.

Por influência da cantora Marisa Monte, em 1997 os Novos Baianos se reunem e gravam um disco duplo em comemoração aos 18 anos de existência do grupo. Iniciam uma turnê, que durou aproximadamente um ano e meio.

Hoje, cada integrante permanece com sua carreira individual e alguns mudaram seu estilo, que foi o caso da Baby, que abandonou a MPB e aderiu ao gospel e a conversão religiosa. Moraes adentrou no frevo, Pepeu continuou como guitarrista e Paulinho como sambista. Galvão escreveu alguns livros em sua carreira, entre eles "Anos 70 - Novos e Baianos", em 1997.


segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Jogos Antigos #1: Altered Beast



Essa é uma nova série que estou lançando no blog somente sobre jogos antigos e de plataformas variadas e o primeiro jogo é Altered Beast:

Produtora: Sega
Editora(s): Sega
Plataforma(s): Arcade, DOS, Amstrad CPC,MSX, Famicom/NES, Atari ST,Commodore Amiga,Sega Master System,Sega Mega Drive/Sega Genesis,Nintendo 3DS (Nintendo eShop),PC Engine CD, Commodore 64,Virtual Console, Xbox 360 (XBLA),iOS, ZX Spectrum
Data(s) de lançamento: 1988
Gênero(s): Jogo de plataforma

Altered Beast é um jogo de videogame lançado em 1988 pela Sega para Arcade e que teve versões para vários consoles, entre eles Mega Drive, Master System, NES (sem a licença da Nintendo) e Game Gear. Foi um dos primeiros jogos para o Mega Drive e ganhou uma versão para o Playstation 2 em Janeiro de 2005. O jogo se passa na Grécia antiga e segue a história de um centurião ressuscitado por Zeus para resgatar sua filha Atena, que foi raptada pelo demônio Neff. O guerreiro ganha a habilidade de absorver power-ups que o transformam em uma besta com habilidades especiais.


O jogo possui cinco fases em side-scroll (movimento lateral da tela) e ao final de cada fase deve enfrentar o vilão Neff transformado em um monstro horrendo e mortal, isto desde que o jogador já estivesse transformado em besta (caso ainda não estivesse nesta forma, quando se encontrava com Neff, este fugia e a fase continuava até que o jogador fosse capaz de acumular os 3 "power-ups"). A mecânica da jogabilidade não poderia ser mais simples. Havia um botão para o pulo e outros dois para ataque (no Master System só havia um para ataque) - um para socos e outro para chutes. Ao pegar power-ups, o jogador tornava-se maior e mais musculoso, e em consequência, seus ataques tornavam-se mais fortes. Quando o herói tomava a forma de uma fera, o botão de soco tornava-se o de ataque a longa distância (como projéteis) e o de chute passava a ser o de ataque especial (investidas corpo-a-corpo). Ainda uma outra característica do game era que a tela, ainda que lentamente, avançava sozinha, o que obrigava o jogador a ficar alerta com obstáculos (ficar preso entre um obtáculo e o fim da tela significava perder uma vida). As fases eram curtas (ainda mais se o jogador não deixasse escapar nenhum dos 3 primeiros power-ups) e, basicamente, a dificuldade apresentada também era baixa - os chefes de fase tinham estratégias que, quando aprendidas, tornavam-nos fáceis de serem derrotados. Porém o número de vidas que o jogador acumulava eram o total de chances que tinha para completar o jogo, uma vez que o game não contava com recurso de continues.

Fase Um - Cemitério. Besta: Lobo. Poderes: Bola de Fogo (longa distância) e Corrida de Energia (corpo-a-corpo).

Fase Dois - Subterraneo. Besta: Dragão. Poderes: Atirar Raios (longa distância) e Choque Elétrico (corpo-a-corpo)

Fase Três - Gruta. Besta: Urso. Poderes: Bola de Energia (longa distância) e Giro "Sonic" (corpo-a-corpo) - Fase não presente na versão Master System.

Fase Quatro - Templo. Besta: Tigre. Poderes: Semelhantes aos do Lobo.

Fase Cinco - Mundo dos Mortos. Besta: Lobo Dourado. Poderes: Idênticos ao do primeiro lobo, porém mais fortes.


Confira uma review sobre o game:



sábado, 1 de novembro de 2014

As 10 maiores descobertas da arqueologia



Entre os achados na área da arqueologia anunciados todos os anos, quais seriam os que revolucionaram a ciência? Aqueles que descobriram como era o nosso passado, desvendaram a evolução da espécie ou colocaram mais dúvidas no quebra-cabeça sobre a civilização humana na Terra. Uma missão entre tantos objetos intactos, cidades inteiras e seres escavados. Mas não impossível. Com a ajuda do arqueólogo Pedro Paulo Abreu Funari, atual professor do Departamento de História da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e membro de instituições internacionais do mundo inteiro, selecionamos as dez maiores descobertas da arqueologia de todos os tempos - ou até hoje.

De acordo com Funari, a importância de uma descoberta é maior quanto mais excepcional ela é - rara, peças encontradas em série ou em ótimo estado de conservação. A questão é: como os arqueólogos explicam a funcionalidade de objetos? Ou como aferem significado a produções como as pinturas rupestres - desenhos feitos pelos homens há milhares de anos? "Quando não existe nada escrito por aquele povo explicando o significado, são elaboradas hipóteses", explica o professor. "Algumas parecem mais seguras. As pinturas rupestres de pessoas dançando em torno de um toten foram interpretadas de acordo com o comportamento de certas tribos indígenas atuais. Pode ser uma prática social semelhante relacionada a divindades", conta. Nesse caso, os cientistas procuram, em povos que possuem costumes mais antigos, situações parecidas para explicar os achados.

Apesar de tudo o que foi escavado até hoje ou que se perdeu por inúmeros motivos, ainda há muito o que ser descoberto. "A quantidade de coisas que estão enterradas em qualquer lugar do mundo é muito grande. Na Europa, os romanos construíram diversos edifícios imensos. Em São Paulo, qualquer buraco que o Metrô faz para realizar novas estações encontra objetos", conta Funari. Atualmente, a tecnologia ajuda a descobrir se há preciosidades enterradas no solo e, depois, datar com mais precisão ou estudar o interior do ser ou objeto com menos invasão. "Conseguimos até verificar vestígios de comida em vasos antigos de cerâmica ou o que a pessoa comeu por meio dos restos mortais", afirma o pesquisador.


Veja as dez maiores descobertas da arqueologia:

10 - Busto de Nefertiti




Geralmente, os egípcios eram representados com a mesma fisionomia. Diferente desse costume, a imagem da bonita mulher do rei Akhenaton, predecessor do monoteísmo dos judeus, não foi idealizada. Ao que tudo indica, é uma cópia da feição da rainha.

09 - Jericó




Alguns estudiosos afirmam que é a cidade mais antiga do mundo, habitada desde 7 mil a.C e citada na Bíblia. De acordo com a publicação, as muralhas que circundavam Jericó, encontradas por pesquisadores, teriam sido destruídas pelo toque de trombetas.

08 - Lucy





O fóssil de um hominídeo feminino, apelidado de Lucy, foi o primeiro esqueleto mais completo de um antigo ancestral direto do homem de hoje encontrado. Estima-se que ela viveu há 3,2 milhões de anos e andava em pé. Sua descoberta ajuda a desvendar aevolução da espécie humana.


07 - Luzia




O crânio de 11.500 anos de uma mulher (Homo sapiens), desenterrado em Minas Gerais, revolucionou as teorias sobre a ocupação do continente americano. Sugeriu que os humanos com traços negróides migraram para a América três milênios antes dos antecessores dos índios.


06 - Palenque




Quando os espanhóis chegaram à América, os maias já haviam abandonado suas cidades. Na Península de Yucatán (México), em meio a uma floresta tropical, Palenque é uma das zonas arqueológicas mais importantes de vestígios maias. Foi descoberta no século 19.


05 - Parque Nacional Serra da Capivara





O homem já vivia na região do Parque Nacional Serra da Capivara, no Piauí, há 100 mil anos - foram cadastrados 1.301 sítios arqueológicos e 292 vestígios como aldeias. No local, duas figuras rupestres possuem 36 mil anos. "A descoberta derrubou a teoria de que a América do Norte teria sido povoada inicialmente e somente por volta de 15 mil anos atrás os homens teriam chegado à América do Sul", explica a arqueóloga Niéde Guidon, diretora presidente da Fundação Museu do Homem Americano (Fumdham).


04 - Pedra Roseta





A Pedra Roseta não foi encontrada por arqueólogos, mas por uma expedição de Napoleão Bonaparte ao Egito no final de 1799. Um decreto escrito em hieróglifos, demótico e grego foi gravado na pedra em 196 a.C. Assim, conseguiu-se traduzir os hieróglifos.


03 - Pompeia





Dia 24 de agosto de 79, Plínio, com cerca de 20 anos, descreveu a erupção do vulcão Vesúvio da cidade de Miseno, há 30 km de Pompeia (Itália). No século 18 a história tida como lenda revelou-se verdadeira. Uma cidade inteira - construções, objetos pessoais, pinturas - de 10 mil habitantes manteve-se praticamente intacta abaixo de 40 metros do solo.


02 - Roma





A também italiana Roma, fundada no século 8 a.C, é o berço do Império Romano (27 a.C. a 476 d.C.). "No subsolo da cidade existe muita coisa, a cada metro de profundidade volta-se no tempo. Oito metros abaixo do nível atual do solo estão objetos e ruínas de dois mil anos atrás", conta Funari.


01 - Tumba de Tutankamon





O faraó egípcio Tutankamon faleceu jovem, por isso reinou por pouco tempo. Mas a sua tumba é considerada uma preciosidade, foi a única de um faraó encontrada, no século 20, completamente preservada por 3 mil anos. A maioria foi saqueada na antiguidade. Junto com o corpo estava o sarcófago, o enxoval - objetos enterrados junto com os reis - e pinturas nas paredes, entre outros bens, inclusive um feto.




Fonte: Yahoo